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quinta-feira, 16 de junho de 2011

LEITURA : COMBUSTÍVEL PARA NOSSO FÍSICO!


FOME, SEDE E VONTADE DE LER

(Aldemir Martins: Menina Lendo, acrílica, 1978)

Os biólogos, cientistas, cientificistas - enfim, qualquer estudioso do corpo humano - não cansam de afirmar e reafirmar a perfeição do corpo humano. A mais completa máquina já criada. O complexo sistema de células, órgãos, substâncias que sintetizam a perfeição. Pois tratemos de discordar. O corpo necessita de combustíveis. Se precisamos de água, temos sede. De comida, temos fome. Nunca paramos de respirar. Por que nos falta uma necessidade de ler? Alias, não há sequer um nome pra isso. Simplesmente “a necessidade de ler”. Algo como a manutenção da intelectualidade, ou da saúde do cérebro. Ler. Ler como quem mata a sede. Como quem avança sobre um prato de comida. Um copo de água bem gelada e uma Clarice. Uma lasanha e um Machado. Para todos os dias, arroz, feijão e Allan Poe.
A falta de leitura deveria ser retratada em fotografia premiada pela National Geographic. Concorrentes do “Foto do ano de 2004”: O menino faminto da Etiópia, a baleia encalhada da Antártida e o Sem-livro do Brasil. Deveria estar estampado na cara do sujeito: “Sou subletrado”.
Não se justifica com a situação do nosso país. Não se trata aqui da falta de incentivo e de educação, já notória e discutida. Mas de atitude.

Os jovens - ah, sempre os jovens – não conseguem, ou não querem, enxergar o benefício da leitura. Qualquer leitura. E os jovens crescem, ou já cresceram, subletrados. Daí a pergunta: E se houvesse uma necessidade física? Penso que ainda há o que mudar na estrutura humana. Que tal essa dica? Hein! Na falta de uma terminologia melhor, fica a “fome de leitura”, ou a FOMURA. O menino grita: “Manhêêê, to com uma fomura danada”. E ela vem correndo com a Ruth Rocha que é pro menino parar de reclamar. O pai, no meio da noite, acorda com o choro do bebê. Dá a mamadeira, troca a fralda e lê o Ziraldo enquanto o neném não consegue sozinho. O casal de namorados vai sair a noite. Jantar, choppinho ou leitura? O rapaz mais afoito sugeriria um João Ubaldo. O divorciado um Nabokov. O mais esperto um Vinícius (sim, elas ainda adoram).  E a combinação vinho, massa e Drummond? Irresistível.

O sonho enfim se concretizaria com o obeso-literato. Aquele que, de madrugada, assalta a estante. Acha que não faz mal um Parnasianismozinho durante as refeições. Vai ao médico, o letricionista, que lhe passa uma dieta a base de romance. Nada muito pesado. Depois das 20 horas, só Sidney Sheldon. Mas cai em tentação e é flagrado com “Crime e Castigo” nas mãos. A família se preocupa. Tornou-se um livrólatra. Só o L.A. poderá salvá-lo. Nas reuniões com o grupo de viciados em literatura, ele conta sua saga: “Bem, comecei aos 10 anos. Como todo mundo. Fadas, chapéus, narizes que cresciam. Depois eu parti pros livros menores. Mas quando você menos espera, já está devorando um Jorge Amado numa sentada só”. Um “ooh” ecoa na sala. Senhoras comentam entre si. “Tão novinho e tão letrado né!”
Bibliotecas lotadas. Um silêncio ensurdecedor. Filas enormes para entrar. É muita gente morrendo de fomura. Consegue uma mesa, pede o menu.

- Por favor, me vê duas Cecílias. E pro menino pode ser um Lobato, que ele adora!!

- Senhor! Nossas Cecílias acabaram.

- O quê? E o que você sugere?

- Nosso Eça é legítimo, senhor! E temos Camões.
- É que os portugueses são caros né! E meu médico me proibiu Camões durante a semana.
- Algum Andrade?

- Não sei. Não sei. Tô indeciso ainda.

Depois de alguns minutos pensando e testando a paciência do rapaz que lhe servia...

- Ah, vou de Paulo coelho mesmo que é só pra matar a fomura.



(Fabiano Cambota é goiano, líder e vocalista da Banda Pedra Letícia). 
Meus queridos, eu AMEI esse texto, considero-o muito rico, com todas as letras...bem escrito, criativo, verdadeiro. Espero que tenham tido uma Boa Leitura!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TEMA: A PALAVRA NO REINO DA TERNURA





Planejamento Quinzenal

1ª. Aula – 07/02/2011
Escola Municipal Jandyra Tosta de Souza
7ºs Anos
Sensibilização/Conhecimento dos Alunos


UNIDADE 1: VIAGEM PELA PALAVRA 



Poema Toada de ternura 
Faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

Para Leonardo, um menino meu amigo

Meu companheiro menino,
perante o azul do teu dia,
trago sagradas primícias
de um reino que vai se erguer
de claridão e alegria.

É um reino que estava perto,
de repente ficou longe;
não faz mal, vamos andando,
porque lá é nosso lugar.

Vamos remando, Leonardo,
porque é preciso chegar.
Teu reino ferindo a noite
vai construindo a manhã.
Na proa do teu navio,
chegaremos pelo mar.

Talvez cheguemos por terra,
na poeira do caminhão,
um doce rastro varando
as fomes da escuridão.
Não faz mal se vais dormindo,
porque teu sono é canção.

Vamos andando, Leonardo.
Tu vais de estrela na mão,
tu vais levando o pendão,
tu vais plantando ternuras
na madrugada do chão.

Meu companheiro menino,
neste reino serás homem,
um homem como teu pai.
Mas leva contigo a infância,
como uma rosa de flama
ardendo no coração:
porque é da infância, Leonardo,
que o mundo tem precisão.


ATIVIDADES -

1. Vocabulário (uso do dicionário)
Flama, pendão, primícias, toada e outras que os alunos não conhecerem.

2. Quem é o autor Thiago de Mello

3. Leitura Silenciosa do Texto Toada de ternura, para reconhecimento das palavras e seus sons peculiares.
3.1. Leitura oral por um aluno (ou mais)
3.2. Leitura oral conjunta: expressão em forma de Jogral.

4. Compreensão e Interpretação (contextualizadas)

  1. O eu lírico se dirige a um interlocutor, o “companheiro menino”. Discorrer sobre esses sentimentos, com palavras apropriadas. 
  2. Diga o que você entende pela  imagem “azul do teu dia”, no segundo verso do poema de Thiago de Mello.
  3. Levante hipóteses: o que poderia ser esse reino que o poeta trouxe ao menino Leonardo, como sendo “as primícias de um reino que vai se erguer de claridão e alegria”...por que razão esse reino se tornou distante, de repente...
d. O poeta mostra ao menino três meios de se chegar a esse “reino”...conversando com seu colega,         encontre esses meios: na 3ª. 4ª. e 5ª. Estrofes.

  1. Conversa informal sobre os versos do poema: “Teu reino ferindo a noite...Tu vais de estrela na mão”.

  1. O pendão é frequentemente usado para identificar uma tropa ou um exército em campanha de guerra. Na 5ª. estrofe do poema, você acha que o pendão anuncia guerra? Explique sua opinião. O reino de Leonardo é diferente daquele que ele vive com seu pai, pois Leonardo carrega consigo a ...............que o mundo tanto precisa. Você considera que a infância é tudo que o mundo necessita? Comente.



  1. Analisando as ideias do poema Toada de ternura, justifique esse título escolhido pelo poeta.

  1. TROCANDO IDEIAS - DEBATE - PROJETO ADORMECER E ACORDAR PALAVRAS: Os poetas podem participar, com seu canto, da CONSTRUÇÃO DO REINO DA ALEGRIA. Como poderão fazer isto, na sua opinião? O POETA Thiago de Mello destaca a TERNURA. O que é a ternura, para você? O que nós todos podemos fazer para ajudar  o mundo a ser mais terno? O que você e eu podemos fazer para manter viva a infância e a poesia dentro de nós? Esse poema “Toada de ternura” imagina um mundo ideal, um reino de LUZ e de ALEGRIA. O que nós vamos fazer esse ano para conseguirmos um mundo IDEAL? Dar uma sugestão para outro título ao poema: Ex.: AFETO EM PALAVRAS.
ALTERIDADE (alter = outro): EXERCÍCIO DE TERNURA. Será que ainda há neste mundo espaço para a SOLIDARIEDADE E A TERNURA? (Ilustração: pintura Uma reunião de Natal, de 1920, de Norman Rockwell. Lembrar as iniciais combinadas: RR (RESPEITO e RESPONSABILIDADE) e EE (ENALTECER e ELEVAR).
(Uma reunião de Natal - N. Rockwell)

  1.  Espaço para Argumentação oral e depoimento: A minha vida na escola é assim: (...)


  1. PRODUZINDO TEXTO: POEMA – estudo de Verso, Estrofe, Ritmo. Figuras de Linguagem. Criando poemas/esquentando ideias e criatividade: Quadrinhas malucas, Trovas e Limeriques (conhecer Edward Lear, o mestre dos limeriques) e Tatiana Belinky, escritora que traduziu limeriques de Lear. Avaliar o poema: se foi organizado em versos e estrofes, se explorou recursos sonoros (ritmo e rima), se a linguagem apresenta imagens e está adequada aos leitores e ao gênero textual. Leitura prévia de alguns poemas como: Amigo, de Roseana Murray e À televisão, de José Paulo Paes.
 AMIGO
No rumo certo do vento,
amigo é nau de se chegar
em lugar azul.
Amigo é esquina
onde o tempo para
e a Terra não gira,
antes paira,
em doçura contínua.
Oceano tramando sal,

mel inventando fruta,

amigo é estrela sempre

no rumo certo do vento,

com todas as metáforas,

luzes, imagens

que sua condição de estrela contém.

Poemas de Céu, ed. Paulinas, ilustrações de mari Ines Piekas


k. INSTRUMENTAL LINGUÍSTICO: A MORFOSSINTAXE – todo o I. L. será trabalhado de forma CONTEXTUALIZADA. Utilização de cores estabelecidas DEMOCRATICAMENTE pelos alunos para as CLASSES DE PALAVRAS. Revisão: meu, companheiro, menino, perante, o, azul, do, teu, dia, trago, sagradas, primícias, de, um, reino, que, vai, se, erguer, claridão, e, alegria. Objetivo: o aluno deverá compreender e intuir que, primeiramente, selecionamos as palavras (substantivos, adjetivos, pronomes, verbos, advérbios, etc.)  e em seguida, realizamos a  combinação dessas palavras em frases, nas quais, dependendo do contexto, elas passam a ter funções específicas (sujeito, predicado, objeto direto, etc.).


    1. PAINEL DAS PALAVRAS - Atividade para ser realizada em casa, observando o modelo:


    1. LIVROS RECOMENDADOS: CORRESPONDÊNCIA (Bartolomeu Campos de Queirós), Varal de poesia (Henriqueta Lisboa), Poesia fora da estante (Projeto organizado por Vera Aguiar), Poesias de Mário Quintana, Cantigas de Adolescer e Amor Adolescente (Elias José), entre outros, escolhidos pelos alunos.
    (correspondência-bartolomeucqueirós)

    1. VÍDEOS: A língua das mariposas (José Luís Cuervo), O inventor de ilusões(Steven Soderbergh), A História Sem Fim( Michael Ende), entre outros a escolher.

    (ahistóriasemfim-michaelende)

    "— O que é que eles dizem quando zombam de você?, quis saber o Sr.
    Koreander.
    — Não sei. . . Tudo o que lhes vem à cabeça.
    — Por exemplo?
    — Gordo, Gordão! Parece um balão! Quando sobe na árvore se
    esborracha no chão!"
    ~~0~~
    "— Vou experimentar!, disse Bastian. Mas não conseguiu proferir as
    palavras.
    Que aconteceria se a coisa desse mesmo resultado? Chegaria de alguma
    maneira a Fantasia. Mas como? Talvez tivesse de sofrer também uma
    metamorfose. Que seria dele então? Talvez doesse ou o fizesse desmaiar! E
    depois, iria mesmo a Fantasia? Bastian queria ir até junto de Atreiú e da
    imperatriz Criança, mas não de todos os monstros que por lá vagavam."

    1. SITES SUGERIDOS:  www.tvcultura.com.br/musikaos/listas/poesia.htm* www.jornaldepoesia.jor.br* www.olharliterario.hpg.ig.com.br/poesias.htm* www.avozdapoesia.com/poetas/index.htm* http://botoesmadreperola.blogspot.com

    CULMINÂNCIA: ESPAÇO PARA AS PRODUÇÕES DOS ALUNOS (fotos).


    *********************************************************
     Professora Graça Lacerda



    2ª. QUINZENA:

    VIAGEM PELA LEITURA - II

    domingo, 23 de janeiro de 2011

    O ENCANTO, O PRAZER E A UTILIDADE DA LEITURA








    ♥ PROJETO LITERÁRIO ♥


    Introdução


    "A solução dos problemas humanos terá que contar sempre com a literatura, a música, a pintura, enfim com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura será sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade."(Jorge Amado)






    Merecem consideração autores de diversas épocas e das mais variadas nacionalidades, a título de curiosidade.


    a) Literatura Grega: Homero, Heródoto, Hipócrates, Aristófanes, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Lísias, Platão, Aristóteles.
    b) Literatura Romana: Lívio, Cícero, Augusto, Odoacro, Plauto, Terêncio, Ênio, Catão, Virgílio, Ovídio, Júlio César, Tito Lívio, Sêneca, Santo Agostinho.
    c) Literatura Portuguesa: Gil Vicente (teatro); Garcia de Rezende, Fernão Lopes, Gomes Eanes Zurara, Rui de Pina, Camões, Fernão M. Pinto, Pe. Antônio Vieira, Pe. Manuel Bernardes, Frei Luís de Sousa, Francisco Rodrigues Lobo, Bocage, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Antônio Feliciano de Castilho, Júlio Dinis, Antero de Quental, Fernando Namora, Alves Redol, Jose Ramón Santana Vásquez, José Saramago, António Lobo Antunes, entre outros.
    d) Literatura Brasileira: Pero Vaz de Cminha (Carta); Manuel Botelho de Oliveira, Gregório de Matos Guerra, Pe. Antônio Vieira, Santa Rita Durão, Basílio da Gama, Cláudio M. da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Domingos Magalhães, Junqueira Freire, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Castro Alves, Joaquim M. de Macedo, Manuel A. de Ameida, José de Alencar, Visconde de Taunay, Franklin Távora, Martins Pena (iniciador da comédia de costumes); Aluízio Azevedo, Adolfo Caminha, Júlio Ribeiro, Raul Pompéia, Machado de Assis (maior nome do Realismo); Rui Barbosa; os poetas parnasianos Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Vicente de Carvalho; Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos (Simbolismo); Pré-Modernismo: Raul de Leoni, Martins Fontes, Afonso Schmidt, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, Cecília Meireles, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Mário de Andrade, Afonso Arinos, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Afrânio Peixoto, Coelho Neto, Oswald de Andrade (Manifesto Pau-Brasil);Raul Bopp, Augusto F. Schidt, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Mário Quintana, Vinícius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Tiago de Melo; os concretistas Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari; Mário Chamil (poesia Práxis); Antônio de Alcântara Machado, José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Ciro dos Anjos, Marques Rebelo, Josué Montello, Adonias Filho, Antônio Callado, Mário Palmério, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino (e vários outros cronistas consagrados); Lygia Fagundes Telles, Autran Dourado, Alina Paim, Nélida Piñon, Adélia Prado, José Cândido de Carvalho, Luís Fernando Veríssimo, Ignácio de Loyola Brandão, Carlos Heitor Cony, Dalton Trevisan, Marco Santos (autor de Popularíssimo:o ator Brandão e seu tempo); Eduardo Lara Resende, e muitos outros!!!.
    e) Literatura Alemã: Primeira Poesia: ‘Canção de Hildebrando’;W. Von Echembach – ‘Parsifal’ (adaptado de Chétien de Troyes); ‘Cantar dos Nibelungen’ (lendas, sagas e poesia cavaleiresca antiga); Martin Optiz (1ª. Novela pastoril); Joann J. Bodmer; Klopstock (1º grande poeta alemão); G. E. Lessing (Lacoonte – ensaio); Goethe (maior poeta alemão); Marx, Nietzche, Kafka; do nosso século: Hermann Hesse (Sidarta), Bertolt Brecht, Tomas Mann, Erick Maria Remarque, Rainer Maria Rilke (cartas);
    f) Literatura Espanhola: Lourenço Segura de Astorga, Miguel de Cervantes, Romanceiro de Cid (Carlos Magno e Rei Artur); Santa Teresa d’Avilla, Lope de Veja, Calderon de La Barca, D. Manuel José Quintana (odes patrióticas); D. Juan Nicazio Gallezo; do nosso século: romancistas: Pio Baroja, Vicente Blanco Ibañez, Valle – Inclán, poetas: Antõnio Machado, Jorge Guillén, Miguel Hernández, Garcia Lorca (principal); ensaístas: Unamuno, Ortega Y Gasset, Ramón M. Pidal.
    g) Literatura Francesa: Rabellais (Gargântua e Pantagruel); Molière, Corneille, Racine, Diderot, D’Alambert,; os pensadores: Voltaire, Montesquieu, Buffon, Rousseau; Madame Stael, Chateaubriand, Lamartine, Delavigne, Vigny, Victor Hugo, Alexandre Dumas (pai), Alexandre Dumas (filho), Honoré de Balzac, Baudelaire, Gustave Flaubert, Júlio Verne, Emily Zola, Mallarmé, Maupassant, Rimbaud, Gide, Marcel Proust, Antoine de Saint-Exupéry (O Pequeno Príncipe, Terra dos Homens, Correio Sul...); Sartre, Simone de Beauvoir.
    h) Literatura Inglesa: Beowulf – 1ª. Obra produzida na Inglaterra; Geoffey Chaucer, John Wyeliff, Thomas Wyatt, Henry Howard, William Shakespeare, Ben Johnson, Thomas Dekker, George Chapman, Francis Beaumont, John Fletcher, Edmund Spencer, John Lyly (Eufhuism), Francis Bacon, Olivier Cromwell, John Milton (Paradise Lost), Dryden, Sir William D’Avenant, Daniel Defoe (Robinson Crusoe), Jonathan Swift, Willaim Wordsworth (melhor sonetista), Coleridge, Lord Byron, Sir Walter Scott, John Keats e Shelley (2a. geração romântica), Jane Austen, Charles Dickens, George Eliot, Charlotte, Émile Brontë, Thomas Carlyle, Rudyard Kipling, Stewvenson, Thomas Hardy, e os da atualidade: George Bernard Shaw, Virginia Woolf, Aldous Huxley, Graham Greene, Joseph Conrad, D. H. Lawrence, William S. Maugham, Katherine Mansfield, James Joyce, T. S. Eliot, J. K. Rowling (Harry Potter), J. R. R. Tolkien ( O Senhor dos Anéis).
    i) Literatura Italiana: Dante Alighieri (Divina Comédia), Petrarca, Boccaccio (Decameron)., Lourenço de Medicis, Angelo Policiano (Orfeu), Ariosto (Orlando Furioso), Torquato Tasso (Jerusalém Libertada), Machiavelli (O Príncipe), Guarini (Pastor Fido), Alexandre Tassoni, Marini, Goldoni, Alfieri, Scipião Maffei, Ugo Foscolo, Manzoni (Hinos Sagrados), Leopardi, Benedeto Croce, e os do nosso século: Giovanni Papini, Marinetti, Salvatore Quasimodo, Lampedusa, Pirandello, Pasolini (também cineasta), Umberto Eco, entre outros.
    j) Literatura Norte-Americana: Michael Wigglesworth (poema Day of Domm), Edward Taylor, Nathaniel Hawthorne (The Scarlet Letter), Herman Melville (Moby Dick), Edgar Alan Poe (fantástico e esotérico: The Raven e Anabel Lee), Beecher Stowe (A Cabana do Pai Tomás), Mark Twain (Huckberry Finn e The Mysterious Stranger), Henry James (The Ambassators, The Wings of the Dove, The Golden Bow), J. Fenimore Cooper, Walt Whitman, Theodore Dreiser, Sincair Lewis, Ernest Hemingway ( O Sol Também se levanta, O Velho e o Mar, Por Quem os Sinos Dobram e outros), Fitzgerald, William Fawkner, John Seinbeck, entre outros.




    1.Justificativa


    Para o poeta Mário Quintana, nossas crianças e jovens não se acostumaram a ler corretamente porque apenas olham as figuras das histórias em quadrinhos, numa
    “fraseologia de guinchos e uivos”, uma subliteratura do homem das cavernas. Felizmente, parece que este quadro já mudou, nos dias atuais.
    Na opinião do educador Paulo Freire, “todo homem precisa ter contato com o computador para estar à altura de seu tempo”. Porém, por mais bonito e colorido que o programa seja, nada substitui o livro de verdade: a narrativa encadeada e as situações imaginárias perdem bastante de seu encanto quando transferidas para o monitor.
    E Mery Weiss disse: “Ler é viajar pelo mundo. É conhecer outros povos, outras terras, outras terras, outras culturas. É conhecer também seu mundo interior, identificando emoções, sentimentos. É tornar-se sensível e criativo”.
    Em sentido amplo, o termo literatura apresenta diversos sentidos: conjunto dos trabalhos literários de um país ou de uma época e de seus autores.
    Em sentido restrito, define-se a literatura ou arte literária como ‘ expressão dos conteúdos da ficção, ou da imaginação, por meio de palavras de sentido múltiplo e pessoal’ (Massaud Moisés).
    Como entramos, já, na era do computador, e a evolução da mente acompanha, com certeza, a revolução informática, pois a expansão tecnológica prossegue acelerada. Urge que as novas gerações descubram a leitura estimuladora e criadora, e através dela alcancem a formação humanística (literatura, filosofia, ciências humanas e artes), para que assim, os criadores de programas possam partir daí para construírem um patrimônio cultural valioso para nossas crianças e nossos jovens de hoje!




    2. Objetivos gerais/específicos
    a) Estimular e desenvolver o gosto pela leitura.
    b) Familiarizar os alunos com a leitura dos “Clássicos”.
    c) Ampliar horizontes, fazendo com que haja enriquecimento interior, aquisição de cultura e crescimento pessoal.
    d) Mudar o comportamento e atitudes diante da vida e das pessoas.
    e) Conhecer e admirar obras de grandes artistas da palavra que tão bem souberam mostrar e registrar a vida e os sentimentos humanos.
    f) Introduzir o conhecimento da poesia concreta e da ciberpoesia.




    3. Atividades
    a) Leituras, dramatizações, encenações, vídeos, acervo rotativo.
    b) Estabelecer comparações com os vídeos correspondentes produzidos, traçando um paralelo ente ambos: fidelidade à trama e ao texto, linguagem utilizada, expressão de determinados comportamentos da época, caracterização das personagens, e outros.
    c) Debates, com temas geradores, como: o que tem a ver a Literatura com a História? E com o desenvolvimento Científico?
    d) Colocar os alunos em contato com Obras Clássicas da Literatura Brasileira e mundial e Obras Interdisciplinares do acervo bibliotecário, e, na falta de alguns, recorrer a ajuda com parceiros de outras escolas.
    e) Para os pequenos, elaborar o subprojeto ‘Cantinho da leitura Itinerante: A Viagem para a Grande Viagem’.
    f) Executar o Projeto ‘Tendas em Cartaz’:
    @ Do papiro surgiu o papel... (data _/_/_)
    @ E do papel nasceu o livro. (data_/_/_)
    @ Videologia: Seriados na TV? Aproveite: leia o livro! (data_/_/_)
    @ Um filme atual: assista ao filme e leia a obra. (data_/_/_)
    @ Abre-te, Sésamo ! Contos de Malba Tahan (data_/_/_)
    @ Um livro bom é um amigo que fala. Para crianças.(_/_/_)
    @ ‘Devore estes livros’: um pouco de culinária...(_/_/_)
    @ ‘Fábulas Fabulosas’ de Millôr Fernandes e outras fábulas (_/_/_)
    @ Quem conta um conto... Contar e ouvir: necessidade humana de comunicação (_/_/_)
    @ Júlio Verne: AVolta ao Mundo em 80 dias e Vinte Semanas em um Balão (_/_/_)
    @ ‘Uma Escola assim eu quero pra mim’ de Elias José (_/_/_)
    @ Grimm, Perrault e Andersen (três mágicos do Conto Infantil) (_/_/_)
    @ Um passeio pelo ‘Sítio do Pica-pau Amarelo’ (Monteiro Lobato x Tatiana Belinky) (_/_/_)
    @ Alimentando a fantasia de gerações: Marco Pólo (_/_/_)
    @ As Mil e Uma Noites – séc III (Sherazade e Sinbad, o Marujo) (_/_/_)
    @ Todas as Histórias do mundo se compõem de apenas 26 letras... ‘A História sem Fim’ de Wolfgang (_/_/_)




    4. Sensibilização
    Vejamos depoimento de alguns autores sobre o que significa para eles escrever para os jovens:
    Andersen disse: “Em minha alma existe uma riqueza tal de ideias que a vida é muito curta para exaurir esse manancial”.
    Pedro Bandeira: “O jovem gosta de escritores ágeis e eletrizantes, e procuro satisfazer a preferência deles...”
    Marina Colasanti: “Gosto de escrever para os jovens porque a adolescência é uma fase cheia de conflitos e complexos interiores. É a idade da incompreensão, do sofrimento inexplicável, das queixas contra tudo e contra todos; da solidão, da poesia, do gosto pela natureza, a idade dos diários secretos e do amor, e da confidência entre os amigos”.
    Coelho Neto: “O livro é sempre um degrau: sobe, se é bom; desce, se é mau.”
    Monteiro Lobato: ‘Um país se faz com homens e livros.’
    Carlos Drummond de Andrade, quando era criança, encomendou para seu pai a Biblioteca Nacional de Obras Célebres... Sua mãe reclamava: ‘Não dorme este menino?’ e seu irmão: ‘Apaga a luz, cretino!’ Enquanto isso, Drummond ia tropeçando nas filosofias da Biblioteca verde, cheirando a pinho...
    Guimarães Rosa, em suas ‘sagas’ pelos sertões agrestes de Minas Gerais, descortinou desertos, sentiu a alma da terra e do povo rude e simples do sertão.
    Júlio Verne, aos 11 anos fugiu de casa, e após ter sido encontrado e repreendido por seu pai, afirmou: “Fique tranqüilo, meu pai. De agora em diante não viajarei senão em sonhos...” E foi assim mesmo, com ‘Cinco Semanas num Balão’, ‘Viagem ao Centro da Terra’, ‘Vinte Mil Léguas Submarinas’, ‘Volta ao Mundo em 80 dias’, ‘Da Terra à Lua’ e tantos outros...
    Uma boa leitura pode ser uma fonte rica de descobertas e sensações e permitir a você imaginar-se nas mesmas situações em que vivem os heróis das histórias. A leitura oferece ricas e variadas experiências da vida: percorremos continentes, visitamos as Américas e a Austrália; caçamos tigres na Ásia, jacarés no Pantanal; fazemos expedições ao pólo Norte; afrontamos as fúrias do oceano a bordo de uma jangada; atravessamos as tundras siberianas; voamos num balão dirigível, damos uma volta ao mundo em 80 dias e viajamos ao centro da Terra...
    É nas páginas de um livro que você poderá encontrar uma pessoa igualzinha a você, que vive o seu próprio ideal e sonha o seu mesmo sonho!
    Em um bom livro você irá encontrar também aquelas idéias que procurava ou os versos que você não chegou a escrever; os atos de bravura que gostaria de praticar ou a oração que seu espírito não conseguiu formular...
    Um bom livro pode ajudá-lo a deixar de lado aquele complexo do Patinho Feio e faze-lo percorrer e transpor as Vinte Mil Léguas Submarinas...
    Pode ainda libertar sua imaginação para uma excursão sideral, da Terra a qualquer ponto do universo, com bilhete de ida e volta...
    Ou, se vocês preferirem, um turismo mais requintado, arrebatando-se de trem para um cataclisma cósmico, numa luminosa região cometária, rolando através do infinito...




    5. Sugerir a leitura de obras clássicas:
    ‘Jovem,
    Aqui estão reunidos livros para o teu prazer espiritual. Dizem que estás na mais perigosa das idades, justamente porque a tua personalidade se está constituindo em bases definidas. Começas a olhar para o futuro, esperando realizar grandes coisas na vida: tua imaginação doura e pinta de novas cores os horizontes. Tens tuas ânsias de reformar e desejar conservar a tradição que enobrece as famílias e os povos. Contradições apenas aparentes, porque podes harmonizá-las, no teu entusiasmo, nas tuas realizações. Não queres perder oportunidade alguma de desenvolver as potências do teu espírito: por isso estendes antenas por toda a parte, para que possam ouvir todas as vozes que tenham alguma coisa a te dizer.
    Desejas comunicar os teus sonhos e os teus ideais: precisas de companheiros que te entendam, que te ouçam, que em ti confiem e em quem confies; que sintam que és alguém na vida; que também tens uma mensagem interior, que flama da tua inteligência a comunicar ao mundo. Já te lembraste dos amigos que encontrarás nas páginas de um bom livro? É aí, às vezes, que te espera a alma irmã da tua, que vive o teu próprio ideal e sonha o teu próprio sonho. Aí encontrarás a expressão verbal que procuravas...’


    Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)
    Os Miseráveis (Victor Hugo)
    Papai Pernilongo (Jean Webster)
    O Mágico de Oz (L. Frank Baum)
    Iazul (Malba Tahan)
    Quo Vadis (Henryk Sienkiewicz)
    Crime e Castigo (Dostoiewski)
    A Filha do Capitão (Pushkin)
    Os Patins de Prata (Mary Mapes Dodge)
    Jane Eyre (Charlotte Brontë)
    O Príncipe Feliz (Oscar Wilde)
    Orgulho e Preconceito (Jane Austen)
    Eneida (Virgílio)
    Os Inocentes (Henry Janes)
    Eugênia Grandet (Balzac)
    A Máquina do Tempo (Herbert George Wells)
    A Ilha do Dr. Moreau (Herbert George Wells)
    Guerra e Paz (Leon Tolstoi)
    Heidi (Joanna Spyri)
    A Tulipa Negra (Alexandre Dumas – pai)
    O Conde de Monte Cristo (idem)
    Os Três Mosqueteiros (idem)
    Os Irmãos Corsos (idem)
    As Aventuras de Tom Sawyer (Mark Twain)
    Conto de Natal (Charles Dickens)
    Viagem ao Centro da Terra (Júlio Verne – pioneiro da narrativa de ficção)
    Da Terra à Lua (idem)
    Vinte Mil Léguas Submarinas (idem)
    A Volta ao Mundo em 80 Dias (idem)
    A Ilha Misteriosa (idem)
    Os Filhos do Capitão Grant (idem)
    Keraban (entre outros de sua autoria -idem)
    Odisséia (Homero)
    Os Lusíadas (Luís Vaz de Camões)
    Romeu e Julieta (William Shakespeare)
    O Vermelho e o Negro (Stendhal)
    Longa Jornada Noite Adentro (O’Neill)
    Bodas de Sangue (Garcia Lorca)
    Um Bonde chamado Desejo (Tennessee Williams)
    Madame Bovary (Flaubert)
    Casa de Bonecas (Henrick Ibsen)
    Medeia (Eurípedes)
    Mãe (Máximo Gorki)
    A Boa Terra (Pearl’s Buck)
    Os Trabalhadores do Mar (Victor Hugo)
    A Morte do Caixeiro-Viajante (Arthur Miller)
    As Vinhas da Ira; A Pérola (Steinbeck)
    A Morte em Veneza (Thomas Mann)
    Ensaios (Montaigne)
    Moby Dick (Herman Melville)
    Como era Verde meu Vale (Llewellyn)
    Nada de Novo no Front (Erich M. Remarque)
    O Espião que Saiu do Frio (John Le Carré)
    Humano Demasiado Humano (Nietzsche)
    O Dia do Chacal (Frederick Forsyth)
    Édipo Rei (Sófocles)
    O Estrangeiro (Albert Camus)
    Obras Completas (Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge amado)
    As Viagens de Gulliver (Jonathan Swift)
    Contos (Hans C. Andersen)
    Contos de Fadas (Irmãos Grimm)
    Contos de Fadas (Charles Perrault)
    As Mil e Uma Noites (tradição oral de povos orientais)
    Fábulas (Esopo)
    A Ilha do Tesouro (R. L. Stevenson)
    O Livro da Selva (Rudyard Kipling)
    A Cabana do Pai Tomás (Harriet Beecher Stowe)
    Robin Hood (Henry Rider Haggard)
    Dom Quixote (Miguel de Cervantes)
    Contos (Edgar Allan Poe)
    Caninos Brancos (John Griffith)
    Robson Crusoe (Daniel Defoe)
    O Último dos Moicanos (James F. Cooper)
    David Cpperfield (Charles Dickens)
    Hamlet (e toda obra clássica e poemas) de Shakespeare
    Obras de Clarice Lispector, Érico Veríssimo, dentre tantos outros brasileiros e portugueses consagrados, de todos os tempos!
    Obs. Esta pequena lista poderá e deverá ser ampliada e enriquecida, com obras atuais.




     5.1 Assuntos para todos os gostos:
    Amor
    Aventura
    Mistério
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    Fantasia
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    Poesia
    Família
    Informação (texto técnico)
    Leitura científica
    Fábulas
    Contos
    Terror
    Drama e muitos outros...




    6. Por que algumas obras são excepcionais


    * Um livro ganha valor universal e ultrapassa o período em que foi feito QUANDO TOCA NO QUE REALMENTE IMPORTA AO HOMEM, em qualquer época, e QUANDO EXPLORA AO MÁXIMO AS POSSIBILIDADES DA LINGUAGEM.


    * Obras de outras épocas precisam ser analisadas dentro da realidade em que foram escritas. É um erro vê-las com as preocupações dos nossos dias.


    * Outro erro/engano grave é levar em consideração apenas a biografia do autor para estudar/ler um livro.


    * Quanto mais informações você tiver sobre a época e as condições em que a obra foi feita, mais profunda se tornará a leitura.


    * Quando algumas características se tornam comuns e específicas de uma época, ela é chamada de periodo literário. Porém, nenhum período possui apenas escritores que seguem todas as características dessa época. Além disso, muitas vezes as marcas para separar um período do outro são arbitrárias, e demarcadas apenas para estudos didáticos.




    7. A poesia: está abandonada? (estudo posterior)
    ............................................................




    8. A poesia concreta como precursora da ciberpoesia
    - Sobre a poética digital –
    Tanto a net como a e-poesia (as chamadas ciberpoesias), fazem parte de uma linha evolutiva, que tem como precursora a poesia concreta, que inovou no século XX. Elas fazem parte do que chamamos ciberarte e net arte (web arte ou arte das redes): meio que utiliza-se das redes de computador, que através de seus conteúdos técnicos, culturais e sociais formam a base para esse trabalho artístico, as quais envolvem também as galerias e as exposições virtuais.
    A ciberpoesia e suas variantes, por sua vez, ‘pertencem ao território mais amplo da ciberarte.’
    - A poesia na paisagem eletrônica -
    A paisagem eletrônica é toda feita de léxico, escrituras e esse mundo depende da política de gramáticas e de códigos como HTML, Java script, entre outros.Desse modo, a Rede é essencialmente escrita: processadores de texto, programas de manipulação da imagem, ferramentas de animação, geradores HTML e outros tantos recursos da mídia digital.
    Para Lúcia Santaella, ‘escrever nunca mais será o mesmo, agora que seus links mentais se tornaram manifestos em um sistema de escrita que permite a interdependência dos elementos dentro de um ambiente em constante fluxo’(...) ‘o texto não é físico, mas exibido, semelhante a filmes, vídeos, hologramas, e outras mídias projetáveis.’
    A e-escrita não é fixa, diz Lúcia, ‘não é um arranjo de símbolos estáticos em uma página estável. A escrita faz algo. Mas para agir, ela depende da interação do leitor. Assim, ela pode mudar em tempo real, sob efeito do controle do leitor, de acordo com a programação.’
    - Três modos de exploração criativa da cibertextualidade -
    A textualidade eletrônica apresenta hoje em dia três formas principais:
    a) hipertexto
    b) texto visual cinético
    c) trabalhos em mídias programáveis
    Isso tudo realizado através de uma semiótica híbrida, com todas as suas possibilidades gráficas (diferentes mídias imagéticas: gráficas, fotográficas imagéticas, bem como o som.
    O hipertexto está relacionado com obras narrativas (prosa literária interativa e games);
    O texto visual cinético diz respeito à e-poesia;
    Os trabalhos em mídias programáveis estão localizados na fronteira fluida da net arte e net poesia.
    Algumas das vantagens da poesia digital, segundo Lúcia, ‘estão em sua habilidade para empregar multimeios, ser interativa e aumentar a circulação.
    Nesse ambiente, o poema vive em uma matriz de meios, uma galáxia de significantes. Compor, limpar, colocar algo e remover, copiar motivos específicos e depois replicá-los no mesmo ou em outros arquivos, etc. são recursos que permitem estender, empurrar e experimentar (...).
    Habilidades para dar à composição qualidades cinéticas (move-se enquanto é exibida, capaz de programar elementos, copiar e enviar instantaneamente, e, sem rigidez, entrar em uma textualidade ‘múltipla, variável e vibrante’.
    - Qualidades da e-poesia –
    a) intermidialidade
    b) hibridização
    c) interatividade
    d) permutabilidade
    e) cinética






    9. A poesia concreta e o contexto da poética precursora da e-poesia


    De acordo com Lúcia, ‘os poetas e teóricos da e-poesia têm sido unânimes na indicação de seus precursores, entre os quais encontram-se os poetas concretos (...) ‘sendo Mallarmé o primeiro dentre eles’.
    Além de Mallarmé, Apollinaire e Pound, inovadores modernistas, Cummings contribuiu para uma poética em que a máquina de escrever afasta a caneta da mão dos literatos: com uma precisão que cria o movimento, ‘Cummings criou um modo peculiar de fazer poesia. Nos seus poemas, segmentos frásicos muito breves são precisamente cortados e distribuídos verticalmente na página’.
    Cummings não se dá por satisfeito, com esse deslocamento de palavras no tempo-espaço: fissura a palavra e extrai sentidos sonoro-visuais da letra-fonema.
    ‘Letras, sinais, espaçamentos e entrelinhas ondulam em movimentos verticais como frutos de um trabalho meticuloso, de amor pelos detalhes mais ínfimos que fazem do poema delicada filigrana para a captura precisa das minúcias do impreciso’.
    Mallarmé chamou de branco da página o campo de atuação dos elementos plásticos da composição, que são exatamente os ‘tipos gráficos em tamanhos e formas variadas, posição de linhas tipográficas que fazem do poema uma relação de materiais e criam uma nova sintaxe com uma outra dinâmica que opera por justaposição (...). Uma sintaxe que não pode mais ser tomada de um ponto de vista linguístico gramatical, mas sob a ótica das relações (...) sobre a página.’
    Os concretistas precursores, e os ciberpoetas de agora sabem perfeitamente ‘tornar visível seus DIAGRAMAS internos, (...) formas que desenham sentidos’, trazendo processos mais próximos do visual ideogrâmico do que do visual ótico.
    A paternidade dos poetas concretos é, sem dúvida, reconhecida pela e-poesia atual.
    {Lúcia Santaella, inspiradora do 5º item desse post, é doutora em Teoria Literária pela PUCSP e Livre-Docente pela USP.}




    10. Culminância
    Ao final do projeto, o professor deverá ter sido capaz de:
    Proporcionar aos alunos uma perfeita compreensão de algumas obras serem excepcionais; e certificar-se de que esta viagem rumo ao prazer e ao conhecimento, oferecida à sensibilidade de cada um e emoções que todos com certeza já experimentamos algum dia.
    O aluno deverá ter compreendido:
    ♥ quanto mais informações tiver sobre a época e as condições em que a obra foi feita, mais profunda e rica se tornará sua leitura;
    ♥ um livro ganha valor universal e ultrapassa o período em que foi escrito 'quando toca no que realmente importa ao homem' e explora ao máximo as possibilidades da linguagem, conforme já foi dito.




    11. Avaliação do Projeto
    A avaliação será formativa, através dos resultados desta bela e emocionante viagem rumo ao prazer e ao conhecimento; viagem esta oferecida à sensibilidade de cada um, e as emoções que com certeza todos nós já experimentamos algum dia. Será feita também através da observação na participação das aulas e nas atividades propostas, em que se avaliarão mudanças de comportamentos, hábitos, atitudes e crescimento pessoal.
    Cada professor, de acordo com embasamento neste projeto, deverá elaborar um Plano de Trabalho que venha de encontro às necessidades de seus alunos.
    Que todos possam dizer, ao final, que delícia de leitura e que bom é inventar histórias e poesias! E que significativo foi a influência dos escritores em minha vida!


    (imagens net:flickr)