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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Entrevista concedida à revista PALAVRA FIANDEIRA




 <http://palavrafiandeira.blogspot.com.br/>  27 de outubro de 2012:


1.Quem é Maria das Graças Lacerda?

Sou uma professora sul mineira que ama o Conhecimento, luta pela Educação e é apaixonada pelo Ser humano.

2.O que são “Os botões de madrepérola”?

Os Botões de Madrepérola” foi o nome que escolhi para dar título a meu blog educacional, onde posto meus Projetos, Planos de aula e Poemas de minha autoria bem como também de outros poetas, incluindo o grande Marciano Vasques. O nome foi escolhido porque, para mim, cada educando, cada aluno é, ao mesmo tempo, uma pérola — e a mais preciosa, a mãe de todas, a madrepérola. E botões, porque vivi minha infância rodeada deles ...multicoloridos, bonitos, acetinados,nacarados,brilhantes! Meu aluno é assim aos meus olhos.

3.Sua vida é dedicada à Educação. É gerenciadora de Projetos Educacionais, com várias tributos em sua formação. Poderia nos traçar de forma sucinta o panorama contemporâneo da educação em nosso país, privilegiando em sua reposta, o que, no seu entendimento, está faltando?

Particularmente, eu acredito na Educação. Vejo com otimismo,mas também com o  no chão o panorama atual da educação em nosso país. A situação nesse quadro atual, em minha opinião, é ambígua e nebulosa. O Brasil alcançou grandes avanços muito importantes nessas últimas décadas, mas ainda  muito para ser feito (em todas as vertentes)! São muitos os desafios que deverão ser enfrentados pelos que estão no poder:hoje, muitas decisões são tomadas por eles sem que estruturas essenciais e básicas tenham sido implementadas! Desse modo,os profissionais da Educação acabam por se sentir andando na contramão do ensino! A sociedade (e aqui incluo família, Ongs, igrejas, comunidades, empresas...) também pode fazer muito (e faz!); porém, uma atuação firme e efetiva, com tomadas de decisão sérias e mais humanas - desses mesmos que estão no poder – faz-se urgente e imprescindível! Não obstante essa realidade, deparamos com esta, antagônica: temos que preparar nossos alunos para um mundo diferente, um futuro, um universo cujos contornos nós desconhecemos! Sim, precisamos(re)inventar um futuro para eles. Ensiná-los a ter visão,autonomia, ser competentes e resolver problemas sociais...Mas será que a Educação brasileira está conseguindo alcançar essas metas que está propondo? Minha resposta é: ainda não. Vejo os professores aturdidos, angustiados, com muitas cobranças e falta de reconhecimento pelo seu trabalho. Ele deseja ensinar! Não somente conhecimentos escolares, mas conhecimentos de vida,ajudar seu aluno a encontrar as saídas necessárias, mas seu clamor - surdo - infelizmente ainda não está sendo ouvido, pois inclusive ele, o professor, também está buscando respostas para si e para a educação! Então,  lhe resta continuar lutando. E ter esperanças. Não perder o brilho dos olhos jamais.

4.Qual a real importância das fábulas na formação e no crescimento da criança?

Ah, é tudo. As fábulas oferecem ao mundo infantil modelos papéis a serem seguidos. É indiscutível o valor pedagógico didático das fábulas e sua utilização na formação de valores nas crianças (enquanto entrada para o imaginário, a fantasia e sua função de saída para o mundo real). A fábula, além de levar alegria ao coração da criança, cumpre bem seu papel de transmitir, construir e reconstruir conhecimentos.

5.Acredita que numa época tão tecnológica, pautada pela velocidade, é a Poesia ainda necessária? Por quê?

A Poesia não está abandonada! Ainda que diante desse mundo onde o avanço tecnológico  se instalou definitivamente, é importante a criança, o jovem e até mesmo o adulto ter sempre oportunidade de ler e também construir os seus próprios poemas, conhecer autores consagrados de nossa literatura. para isso, nós professores precisamos trabalhar com projetos.Elaborei para esses dois últimos meses do ano letivo o Projeto Poetas da Escola – versos para brincar e sorrir. Um dos objetivos desse projeto é justamente que a criança possa perceber que beleza de um verso está em sua fórmula mágica de encantar seduzir com palavras. Em minha opinião, os alunos precisam urgentemente reaprender a olhar o mundo e as coisas com olhos poéticos!

6.Mora em Pouso Alegre, de que forma e com qual intensidade a cidade, o lugar onde se vive, faz parte do Ser?

A cidade onde nascemos , e mais precisamente onde vivemos passamos a maior parte de nossas vidas é muito importante; diria até que seria o pilar de nossa construção como Seres humanos como cidadãos. É nesta cidade que os costumes locais, suas tradições e toda sua história desde os seus primórdios infiltram-se de modo tão profundo e arraigante em nossas vidas, que nos fazem ser o que somos hoje: construímos nossa história lado alado com a história de vida do lugar onde vivemos.

7.Não só as cartas, mas você valoriza tudo o que merece e precisa ser preservado no coração e na alma das pessoas, mesmo que apenas na memória. Como foi a sua infância?

Minha infância foi maravilhosa! Não tinha luxos, nem vaidades mundanas, mas não me faltava nada. Principalmente os livros,revistas e jornais. Morava em uma cidadezinha pacata, e minha mãe ensinou-me a ler aos cinco anos de idade. Fazia coleção,com meus irmãos e meus primos, das HQs Walt Disney,recortávamos o “Amigo da Onça” dos jornais e inventávamos lindas situações! Havia o dia da “Troca: todos levavam suas revistas  lidas para tocar e um intermediador era responsável pela ordem e sucesso da festa. Nesse dia, valia tudo: batizado de gatos e bonecas, era maravilhoso e tudo saía a contento! Fingíamos dar livros para as bonecas e os gatos,porque eles precisavam ficar inteligentes, como nós...rs. Eles possuíam nome e sobrenome, que lhes conferiam ares de pompa, igualzinho como no cartório de nosso tio escrivão! As cartas vieram depois, na adolescência, e, se pudesse tê-las guardado todas (faço hoje uma brincadeira), precisaria de um cômodo enorme de minha casa,  para acondicioná-las! foram cartas as responsáveis pelo Projeto Lexicoterapia –Adormecer e Acordar Palavras: Correspondência, de Bartolomeu Campos de Queirós. Decididamente, o ser humano não pode esquecer sua história, suas raízes, suas memórias, nunca.

8.Não creio que haja um compartimento isolado no Ser e também somos frutos, resultado de todas as vivências, e das leituras. Como atua em você, ou qual influência recebeu de suas leituras, ou, quais livros de fato influenciaram a sua forma de Ser?

Sim, como um todo, somos frutos de nossas leituras e vivências.Conforme relatei no item sete, os livros de histórias infantis povoaram minha infância, assim como os jornais e revistas da época, nos idos de 1960. Livros didáticos eram lidos na escola repassados para amiguinhos imaginários e reais em casa, e ai de quem não ouvisse a história do início ao fim! E comecei também muito cedo a rabiscar poemas, chegando a ter um acervo pessoal de quase quinhentos poemas escritos. Claro que não publiquei e muito menos guardei esses poemas, que a meu ver eram pueris e sem valor. Eram coisas de juventude e não dei muita atenção a eles. Os livros que influenciaram minha forma de Ser foram todos os que transmitissem algo positivo (na adolescência), os romances brasileiros e alguns estrangeiros (na juventude) e mais tardiamente, a Bíblia, a Palavra de Deus. Na juventude, houve um tempo em que ia a livrarias comprar livros,e não havia um que  não tivesse lido! Portanto, posso dizer que sou das letras e das literaturas desde a mais tenra idade!

9.Além de blogueira, está na Rede Social. O que pensa da Rede? Ela realmente revolucionou a forma como a humanidade se comunica, etc, ou tudo isso é passageiro?

Sim, acho que as Redes Sociais, de modo geral, são um bem patrimonial que a humanidade adquiriu, para diversos fins.Porém, tenho minha admiração mas também minhas restrições com as redes sociais. Como em todas as situações em que o ser humano venha a se expor publicamente,  tenho duas palavras de recomendação: bom-senso e sabedoria. O Facebook é uma excelente ferramenta para construir amizades, travar contatos para seus negócios, alerta para publicações de livros, ofertas de serviços e tantos outros. Estatísticas comprovam que o Face é rede que mais cresce no Brasil e não creio que possa ser passageira. É uma ferramenta, e como tal, deve continuar. Cada indivíduo com seu perfil e sua contribuição.

10.Pergunta já datada, mas ainda válida: O livro de papel está com os dias contados?

De modo algum! O livro de papel não terá jamais seus dias contados! Ele ainda continua no mesmo patamar onde sempre esteve: nas livrarias, nas bibliotecas, nas escolas, em algumas casas, para nossa felicidade!... E mais ainda: nas mentes e nos corações de grandes escritores e poetas, em forma embrionária,como Marciano Vasques e tantas cabeças pensantes deste país do mundo inteiro. O livro lido na tela do computador também tem seu valor inegável, mas nada supera a emoção que desperta a leitura feita num livro de papel! Manusear, tatear,sentir o cheiro das folhas... não tem preço.

11.Já pensou em escrever um livro, e caso pretenda fazê-lo, qual seria o seu projeto? Um livro de Poemas, um livro didático? Um... Pode, gentilmente, falar sobre isso para a Fiandeira?

Sim, sempre pensei em escrever algo que pudesse realmente fazer alguma diferença, porém, nunca me dispus a ir de encontro a esse desejo, por considerar cedo demais. Após esse Projeto – Lexicoterapia, que será entregue na forma de TCC de pós-graduação, desejaria vê-lo transformado em um livro, pois trata-se de apontar soluções para a indisciplina e a não-violência nas escolas.

12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?

A literatura, apesar de ser uma adequação da realidade, uma reinvenção do mundo, é mais certeira e nutre mais do que educação formal. Por isso, ela desafia os parâmetros das sociedades organizadas e é, ao mesmo tempo, um espelho, uma forja e uma nave. E para quem nasceu ilha, a nave, sobretudo, é imprescindível.” Magaly García Ramis, Porto Rico, 1992. Muito grata!





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