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quinta-feira, 25 de março de 2010

As Pérolas...


Depois de muitas experiências vividas, Ternura sentia-se cada vez mais sensível.
Para poder se alimentar precisava abrir-se completamente. Assim os nutrientes presentes na água tornavam suas refeições um belo banquete com sabores deliciosos e sublimes.
Para um ser tão pequeno saborear era sobreviver e viver cada detalhe.
Saborear a vida. 
Sentia prazer no seu delicado tato, o encanto ao mergulhar em águas refrescantes, e depois se aquecer com o calor aconchegante do sol à tardinha.
Sentir o perfume da vida com seu apuradíssimo olfato ao respirar fundo aquele ar puro que vem com a brisa da manhã.
Ouvir a Vida com som do vento soprando as árvores, o canto dos pássaros, o balanço das águas e até a incrível orquestra das baleias.
Todos os elementos da natureza podia ela sentir.
Aconteceu que num momento sublime desses ao abrir para se nutrir, engoliu junto com o alimento um corpo estranho.
(Ai, ai, ai... Já imaginou um ser tão delicado com algo rasgando, arranhando, ferindo, causando danos internos em sua estrutura?)
Mas mesmo assim, os movimentos de se abrir e fechar são necessários para sua sobrevivência, ao contrário ela poderia desfalecer.
O Criador ao ver suas lágrimas de dor, transformou-as em uma substância lustrosa chamada “Nácar”. Essa cobriu aquele pedaço de sujeira com muitas camadas, para proteger seu corpinho indefeso.
Suas cicatrizes foram transformadas em pérolas e depois expelidas.
Poderia ela deixar o tempo passar e continuar sentindo dor, mas sua opção foi outra.
Transformou todos seus dias e suas dores em camadas de amor.
Ela sofria às vezes, pois era muito sensível. Suas dores, ao ver a natureza se degenerando, sua tristeza ao saber que o ser humano não se respeitava mais era transformada em prece ao Criador.
Mesmo com tantos amigos ao redor, às vezes se sentia sozinha, sabia que tinha de enfrentar os obstáculos, superar seus desafios e erguer-se para continuar a nadar e viver. 
Não podia desistir. Não na metade de seu caminho.
Seu desafio, compreender mais sentimentos, e espalhar um pouco de sua sensibilidade.
Afinal seu nome é Ternura!
Decidiu com toda sua força dar mais frutos, de si mesma e de sua força.
Um molusco aparentemente frágil, mas forte capaz de transformar seu medo em coragem pra viver... 



Priscila Lima
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