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sábado, 5 de novembro de 2011

O Outro Nome da Rosa - uma análise




Análise Literária da obra O Outro Nome da Rosa, de Rodolfo Rodrigues de Barcellos
Proposta para :Alunos do 3º Ano do Ensino Médio
Escola Estadual Presidente Bernardes


O OUTRO NOME DA ROSA

ou

O Biólogo e a Pesquisadora de Lendas


1.Breve histórico da biografia do autor e sua autorização para trabalhar suas obras:

De Niterói, Rio de Janeiro, Brazil, Carioca de nascimento. Papa-goiaba de adoção. Fluminense de torcida e de estado. Brasileiro de carteirinha e de coração. Cidadão do mundo por opção", assim ele se autointitula. Poeta de mão cheia, superpreparado e culto, amigo querido que encanta a muitos blogueiros que chegam para conhecê-lo e vão ficando, exasiados com sua gentileza, sinceridade e carisma natos. 
Escreveu, além da obra ora analisada, Homo Mirabilis, Os Sete Ramos de Oliveira e Projeto Hades, disponíveis em seu blog para download.





Considerado - por muitos - Mago, Bruxo e Anjo. Esse é Rodolfo, carismático, cavalheiro, cativante, que se esqueceu de dizer que é também mineiro de "genética"...!





"- Graça, use e abuse de qualquer texto de minha autoria para seus projetos educacionais. É um orgulho e uma alegria poder deixar meus tijolinhos na construção do futuro do meu país.
- Abraços a todos.
2 de fevereiro de 2011 08:34
R.R. Barcellos"

2.Recursos de estilo utilizados e características do conto: metáforas (pequenas estrelas douradas brilharam nos olhos marejados dela, pág. 27); gíria ("caiu a ficha", pág. 31);  emotividade, concisão, precisão, densidade, valorizando o que mas também  o como contar. Períodos curtos, e cada palavra no seu devido lugar.
3. Arte da Capa: paralelo artístico entre a primeira e a segunda edição  - as duas foram eleitas como diagramação esteticamente moderna e agradável.
4. Aspectos Sociais, Geográficos, Literários (intertextualidade),  Científicos e  Ecológicos na obra de Rodolfo Barcellos
a) sociais: a pesquisa desenvolvida pela personagem abrange um conhecimento de outros povos e  seus costumes.
.b) geográficos: o autor faz referência à  Floresta da Tijuca, à Mesa do Imperador e também à Vista Chinesa. Esses lugares que ele cita são reais ou fictícios? Se existem, onde, exatamente se encontram? (Pesquisa – evidentemente que descobrirão que essas riquezas encontram-se no belo Estado do Rio de Janeiro).
c) literários: conhecer as obras de Gabriel García Marquez , Umberto Eco , José Saramago, Jorge Amado, Zélia Gattai e Michael Ende.
d) ecológicos:  a tansversalidade   (botânica, especialidade da biologia ricamente explorada no texto).
5.Foco narrativo: o texto é narrado em 3ª pessoa, e o narrador conta a história e conhece a vida das personagens: suas vidas, ideias, pensamentos; é o narrador onisciente.
6.Tipo de discurso utilizado: há predominância do Discurso Direto, mais comum nos contos - os diálogos das personagens são feitos através de travessões.
7.Minhas observações e considerações literárias a respeito da obra: uma análise estrutural

Uma  análise Estrutural da obra seria plenamente adequada, com vistas ao estabelecimento de Códigos, proposta por Affonso Romano de Sant’anna (uma vez que a narrativa é de estrutura simples, caracterizada por mito, costumes e encantamento).
Não obstante a grandiosidade da estrutura da obra de  Rodolfo, vê-se que a mesma prima também pela engenhosidade de sua composição, posto que o autor a dividiu em quatro partes distintas: dois equinócios e dois solstícios, onde o tempo que move esses quatro movimentos da Terra em relação ao Sol é o tempo exato que ele inteligentemente precisou, no contexto, para fazer vir à luz uma criança.
A trama é romântica, apaixonante. Porém, de escrita leve e natural como requerem os dias de hoje, misto de contemporaneidade (realidades como ultrassom, internet permeiam  o conto) com outro período literário antigo, nostálgico, onde o autor foi buscar inspiração -pautada na linha do tempo: a era romântica. Perfeitamente admirável, ele discorre sobre o amor do casal que se encontra  - entre tempestades e pesadelos - na Floresta da Tijuca ( de modo aparentemente casual, porém deliciosamente estimulado, provocado pelo autor). Aqui, após as tempestades e pesadelos, o Código edênico inicial é instaurado.
Nesta minha pequena e breve análise, pude relacionar inúmeras surpresas destituídas de suspense, sem coação à inteligência do leitor,  roteiro não previsível, o que agradou-me sobremaneira, e quiçá a outros leitores também, por considerar esse detalhe único – fato incomum nas  obras  literárias - e relacionei algumas  delas que considerei de extrema relevância:
 - O fogão “rústico”, improvisado, pois o outro estava ocupado “em uma missão mais importante”. Que missão seria essa?
 - “Nomes só têm importância quando três ou mais pessoas estão juntas”...(seis meses depois, ao afirmar que preferia o tempo em que eles não precisavam de nomes, ela responde “agora precisamos”, e mostra-lhe a barriga concebida no equinócio em que se amaram.
 - “Num tom pedante e doutoral” – para quem pensou, de início, que se tratava de algum aborígene, já se revelou que não era!
 - Numa citação de Umberto Eco: “Se a rosa tivesse outro nome (antecipação do que viria), ainda assim seria uma rosa”, nasce em uma tribo ianomâmi, ao norte do Brasil, mais precisamente Roraima, no Solstício de inverno, Aracê – aquela que traz a luz ao Sol.
-  O reencontro, quando os amantes se desdobram em conhecimento um do outro:
- Salve, doutora Cristina, catedrática em antropologia!
 - Salve, doutor Humberto, PhD. Em botânica!

Um recurso peculiar de que o autor se utiliza, e de maneira autêntica, para  o desenrolar da trama: a catástrofe e o desbarrancamento, são pretextos criados por ele, de forma graciosa e original, para que Cristina não tenha como encontrar seus amigos e possa, com essa fatalidade da natureza, estar presente e  assistir ao equinócio – o milagre da “dança das luzes” – um fenômeno que durou quinze minutos:“luzes brilhantes e multicores, como um caleidoscópio vivo”. Evidente que se amariam, na mesma noite!! A magia das luzes fez o (futuro) milagre acontecer!  Aqui também reside uma das surpresas sem suspense. Apenas jogando com o texto, anteriormente Rodolfo Barcellos relata que “ele não se lembrou da camisinha e nem ela de contar seus dias”...
Um outro recurso de estilo, mais propriamente de construção textual, acontece no momento em que os amantes se preparam para se despedir. Humberto lhe escreve um bilhete, com o roteiro cuidadosamente traçado para que Cristina pudesse retornar depois ao “nosso acampamento”, onde ele a esperaria, no próximo equinócio. Aqui, o Código Edênico (quase dramático)Declarado, explicação  de que entre um equinócio a outro, passam-se justos seis meses, e ela chega a pensar que ele não a ama, surgindo, então o pequeno conflito.
Para entreter o leitor, o recurso utilizado foram as incansáveis buscas que ambos fizeram para saber um pouco mais sobre aquele estranho que entrara em sua vida, e do qual nada sabia...apenas que tiveram uma linda e iluminada noite de amor. Ela buscava frequentar faculdades de Botânica e de Biologia “em busca de um nome”. E ele, por sua vez, pesquisava na internet, em busca de informações que pudessem satisfazer sua grande ansiedade e enorme curiosidade...
NaturezaX Cultura e Cultura X Natureza:  Ele, biólogo, ela pesquisadora. O Código edênico final é percebido.Nessa trama, o autor RR  pretendeu tecer, magistralmente, uma fusão de culturas, culminando com o nascimento da pequena Rosa (Aracê) em tribo ianomâmi, no estado de Roraima.

8. Reflexão para possível debate: situação de antagonismo no conto

A tese da personagem para ter acesso à cátedra de antropologia possuía como tema: “A evolução das culturas indígenas no sudeste brasileiro”. Questiona-se: por que razão, estando Cristina em Roraima, “ao norte da linha do equador”, ainda assim pesquisava lendas indígenas para sua tese?  Debate.
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Rodolfo,
Talvez por você desejar, a sua linda e encantadora indiazinha (de nascimento) – Rosa- Aracê, fez um Pouso muito Alegre, maravilhoso, sereno, em meu querido Estado de Graça. Por esse motivo, meu  amigo querido, fiquei (e ainda estou) respirando em “estado de graça”...e daqui  - do meu Estado  - a Graça agradece penhorada tão grande benevolência.
Receba daqui das Gerais o meu fraterníssimo abraç\0/
Meu carinho, meu afeto!
Sua amiga,
Graça Lacerda
Pouso Alegre, agosto de 2011

*Nota: conforme lhe disse anteriormente, devido ao meu problema de saúde na época, perdi muito dessas análises...porém, o prometido tem de ser cumprido, e aí está um fragmento.
ABC de coisas boas pra você também! Vamos acordar as dorminhocas...
(E viva tua Rosa!)


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