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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

HOMENAGEM A MINAS GERAIS

O GOSTO DE SER MINEIRO
Esta crônica foi considerada ‘hors concours’ quando da realização do 5º Concurso da Superintendência Regional de Ensino de Pouso Alegre, para a Semana Literária. 1998.
Aqui, publico-a na íntegra:
Chegamos.
Estou entre a porteira e o sonho. Cheiro de leite morninho tirado na hora. O orvalho brilha no capinzal e chove torrencialmente no campo. Há neblina no milharal.
Diviso o velho riacho e escuto ainda o eco da criançada gritando, tomando banho. Fecho meus olhos e revejo num ‘flash' cenas alegres da infância. Aprendi desde cedo o gosto de ser mineiro.
Ser mineiro é o cheiro delicioso do canteiro de hortênsias, das flores silvestres e da terra molhada após a chuva. É a nostalgia da velha cozinheira cantando e cozinhando no fogão a lenha, enxugando no avental o suor de seu rosto:algo convida pra logo, tem fumaça na chaminé...
Ser mineiro é ter fundo na alma o gosto da terra. É enxergar verdinho, tentando enganar um pouco a saudade, a lembrança dos filhos longe, no estrangeiro...
Ser mineiro é curar umbigos de criança e jogar todos eles na roseira, que é pra dar sorte.
É sentar na varanda todos os dias à mesma hora, no vagaroso tecer dos anos, só pra ouvir o canto majestoso do sabiá.
Ser mineiro é a fala simples do camponês: hoje vai ter ‘cripe’ da lua, as crianças estudadas da cidade segurando o riso, misto de interrogação e respeito!
É ser como São Tomé – não sair acreditando nas ‘conquistas da ciência’, mas preferir ele mesmo testar.
É ter flores de todas as cores e gostar delas.
O gosto de ser mineiro está nas grandes vaquejadas, nas pescarias à beira do rio, covos armados no verão.
Ser mineiro é afirmar de pés juntos que o Everest não é assim o pico mais alto do mundo, tamanho não é documento...
É acordar nas madrugadas com o mais gostoso despertador, cocoricando nas manhãs fresquinhas de amendoim torrado, socado de noite no pilão. É paçoca com gengibre na panela.
Ser mineiro é o chá de hortelã ‘pra curar as bichas’, e o bicho-de-pé coçando, doendo...
É envelhecer sorrindo, sorriso de poucos dentes, enfrentando assombrações com a bravura de quem sabe a que veio!
Ser mineiro é abençoar a lua clara, iluminando a estrada, e o sol escaldante dos dias de verão.
Ser mineiro são as festas do Santo Padroeiro, a Folia de Reis. Acender vela pro santo e depois brigar feio com ele.
É a fé mais inabalável, a crença mais singela, nas rezas de família, misturadas, confundidas com superstições...
É sentir na alma inteira que é sempre tempo de festa e é hora de celebrar.
Ser mineiro é aquela correria: - tarde, compadre; tarde, comadre! Lá evém chuva! E todos correndo para cobrir depressa os grãos de café no terreiro (mais preciosos que as pedras de anel chique das comadres da cidade...)
É enxergar molhado a plantação arrastada pela enchente de janeiro! Ter fé que no ano que vem não vem aguaceiro igual.
Ser mineiro é vislumbrar por entre as montanhas um pedaço reduzido do paraíso. Deitar e esticar-se na rede, aproveitando a sombra e a fruta das mangueiras, carregadas de pardais.
Enxerguei cedo que ser mineiro é reviver tradições, remexer o passado, e, como diziam meus pais, não saber ‘contar um conto sem aumentar um ponto’! É ter a dignidade de um fio de barba. É gostar de ser herói e morrer por uma causa. É jogar limpo. É ser honesto até debaixo d’água e não trair um amigo nem que a vaca tussa...
É a flor do feijão estalando ao sol e a sombra gostosa e amiga nos terreiros de café. É o gado enfileirado, sabendo a hora de voltar.
Ser mineiro é ser simples: é o doce em compota na despensa, provocando mistério. É o bule de café quentinho e a galinha esperando, desconfiando do destino...
Leitão, lingüiça, mandioca:pode entrar, que a casa é nossa.
É arrear o cavalo e seguir em frente. É tirar o chapeu ao ouvir o santo nome de Deus, numa harmonia perfeita entre o criador e sua criatura!
Viola que chora, saudade que punge no peito.
Ser mineiro também é ser modesto: comprar uma parabólica, não entender nada de Internet (ou entender e acessar o computador, mas nunca perder a sintonia com as suas raízes).
Ser mineiro é o bezerrinho ferido retirado do açude. A vaca mugindo, literalmente atolada no brejo. É conhecer que vai chover quando o calo dói e a saracura pia, longe.
Ser mineiro é registrar nosso folclore a cada ano, numa corrida desenfreada contra o tempo. É consertar o patrimônio hiostórico, pedindo desculpas ‘apológicas’ aos nossos antepassados...
Ser mineiro é ter memória: guardar no museu e no coração toda nossa grandiosa história!
Orgulho-me de você, meu irmão mineiro, trabalhador das minas, calção por vestido no corpo e lanterna pendurada na rocha. Você, lavrador das campinas, que carrega na alma a eterna sabedoria dos anos. De você, operário das máquinas, chorando o custo de vida.
Saúdo o peão ponteiro, o fiador e o meeiro.
Minas do artesanato e da grande industrialização. Do futebol e dos grandes craques.
Minas dos grandes sertões e veredas, das corredeiras, das grutas, das lindas chapadas, da mais bela geografia!
Minas de Milton Nascimento e Adélia Prado. Elias José e Edson Arantes, Pelé. Olavo Romano e Drummond. Guimarães Rosa e Otto Lara Resende. Vanderlei Timóteo. Políticos; estadistas; grades nomes da poesia e da prosa; ilustres; guerreiros; severos; sinceros.
Ser mineiro é, enfim, chuchar a lua com bambu, tirando o chapeu pro Olavo, o Romano, mas mineiro por vocação e berço.
É o glorioso cair da tarde. O sino da igrejinha repicando sinos, embalsamando a dor. É o silêncio da Ave-Maria.
Do outro lado da porteira redescubro valores. Já não posso dar marcha-a-ré: é hora de pegar o trem da história e celebrar, ainda que tardio, o gosto de liberdade – o gosto de ser mineiro!
Graça Lacerda - Escola Estadual Professor Ladislau
Você sabia?


"Minas Gerais não possui um hino oficial. No entanto, várias composições dedicadas ao Estado se tornaram conhecidas ao longo do tempo. Uma delas é o ´Hino a Minas´, com letra de João Lúcio Brandão, e música do padre João Lehmann. A composição era muito ouvida nas escolas, durante as décadas de 1920 e 1930, e fazia parte do hinário (livro de hinos) distribuído nos estabelecimentos de ensino.

Mas, a canção que ganhou maior popularidade, inclusive fora do Estado, foi ´Oh, Minas Gerais´. A letra é uma adaptação feita pelo compositor mineiro José Duduca de Morais, o De Moraes, gravada em 1942. Trata-se de uma tradicional valsa italiana, chamada Viene sul mare, introduzida por companhias líricas e teatrais daquele país que vinham ao Brasil no século XIX e início do século XX. Em 2000, a música foi gravada pelo cantor e compositor Milton Nascimento."
O vídeo com que brindo meus amigos neste post está na voz de Renato Teixeira. Ouçam e se apaixonem!!!

Oh, Minas Gerais

Tuas terras que são altaneiras.
O teu céu é do mais puro anil.
És bonita, oh terra mineira,
Esperança do nosso Brasil !

Tua lua é a mais prateado
Que ilumina o nosso torrão !
És formosa, oh terra encantada !
És orgulho da nossa nação !

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Teus regatos te enfeitam de ouro.
Os teus rios carreiam diamantes
Que faíscam estrelas de aurora
Entre matas e penhas gigantes.

Tuas montanhas são preitos de ferro
Que se erguem da pátria alcantil !
Nos teus ares suspiram serestas.
És altar deste imenso Brasil !

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Lindos campos batidos de sol
Ondulando num verde sem fim
E as montanhas que, à luz do arrebol,
Têm perfume de rosa e jasmim.

Vida calma nas vilas pequenas,
Rodeadas de campos em flor,
Doce terra de lindas morenas,
Paraíso de sonho e de amor.

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Lavradores de pele tostada,
Boiadeiros vestidos de couro,
Operários da indústria pesada,
Garimpeiros de pedra e de ouro.

Mil poetas de doce memória
E valentes heróis imortais,
Todos eles figuram na história
Do Brasil e de Minas Gerais.

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Fonte: mg.gov.br

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