segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Num momento de profunda solidariedade...


Eu quero a poesia por vestido

Quando minha alma esteve presa
e quando os grilhões me atormentavam
quando fui ultrajada
torturada
vilipendiada
calada
Quando minha alma esteve aprisionada
e tudo era mágoa
revolta
tristeza
e sofrimento
e dor
Quando sentia o peso da angústia
e me pesava o frio da prisão
me vi numa trincheira
fizeram-me sentir um lixo, um verme.
Quando minha carne flagelada
e minha alma andava nua
e descoberta
senti medo
e fome.
Quando havia um grito surdo
e abafado
dentro em mim
amordaçado
explodindo na noite do meu peito
a solidão gritava
um urro entranhava
e era maior que eu
uma angústia crescia
fazendo ressoar na escuridão.
Nenhum eco ouvia
era tudo silêncio
e eu vagava como um louco pela rua
- e quis a poesia por vestido -

Ainda tenho o peito rasgado
dilacerado
escuto ainda o grito do silêncio
um clamor
dentro em mim
mas já não há espaços para angústia
medo
dor
nem aflição.
Minha alma novamente libertada
saiu do cárcere
rompeu correntes
as trevas não assediam
não há tormentas
não me torturam
não há lamento
não sou tristeza
Passou o gelo, o frio, a solidão
Já não há cadeias de ferro
nem grilhões
seguiu seu destino a escuridão
Naquele que sofreu mais do que eu existe amor
e há vitória.
Jesus, teu grito de liberdade é meu troféu
já não importa o quanto hei sofrido
rasga meu peito novamente
sou poeta
- e quero a poesia por vestido! -

Graça Lacerda 01/11/09

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