sábado, 28 de novembro de 2009



A treva, que incidiu sobre o teu rosto,
acendeu as feições que adivinhava
quando não via, à luz sem sal, sem gosto,
as feições que via; onde eu estava?
No mar, eu acho, o mesmo mar ignoto
por onde a hora passa avara e lenta,
e um peixe ganho perde o barco todo
e não há nada - só o que se inventa.
Eu te estudei, então, ali, no barco,
pescado o rosto que eu sabia teu,
depois que a hora naufragou ao largo,
e com a hora, claro tu e eu.
Que forma é essa, ao certo não se sabe;
esplende e voa, é estrela como é ave.

(Érico Nogueira é bacharel em Filosofia,
Mestre e doutorando em Letras Clássicas pela USP)

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