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domingo, 27 de setembro de 2009

As Idades do Corpo










“UM HOMEM É TÃO VELHO QUANTO SUAS ARTÉRIAS” (Henry Cazalis, médico francês, séc. XIX)

“Um homem solteiro de 50 anos que fuma um maço de cigarros por dia, não faz exercícios físicos e belisca um pacote de batata frita entre as refeições, tem uma idade verdadeira de quase 70 anos. Se este mesmo homem praticar exercícios com assiduidade, mantiver uma vida sexual animada e ingerir vitaminas E e C em quantidade apropriada na forma de alimentos ou suplementos, ele pode ficar parecido com alguém de 45 anos.” (VEJA, 1999)

I Você sabia?

Há pouco tempo li uma reportagem, também na revista Veja, que me chamou bastante a atenção.

A autora, Paula Neiva, deu uma verdadeira aula de como se manter jovem por mais tempo...

Para isso, recomenda ela, é preciso lecvar em conta uma característica do relógio biológico: OS ÓRGÃOS DO NOSSO CORPO NÃO ENVELHECEM TODOS NO MESMO TEMPO!!!

O bem-estar e a aparência da juventude podem, sim, ser prolongados, segundo ela.

Estudiosos do metabolismo, médicos, pesquisadores da nutrição e da fisiologia estudam recursos inovadores para atrasar o relógio biológico humano.

A certa altura de nossa vida, a produção de alguns hormônios cessa, o metabolismo se desacelera, o apetite sexual diminui, músculos perdem o tônus, ossos se desmineralizam; o sistema imunológico perde a eficácia, aumentando o risco de doenças. As células ficam mais suscetíveis aos efeitos dos radicais livres.

Nem tudo isso, porém, diz Paula, ocorre ao mesmo tempo ou com a mesma intensidade em todas as pessoas.

Um epidemiologista e geriatra italiano chamado Luigi Ferruchi coordena um estudo que acompanha um grupo de 1.000 pessoas desde 1958.

II Pele

A pele, órgão que como todos sabem é o maior órgão do corpo humano, chegando a medir até 2m², nossa espécie de cartão de visitas, é o órgão que mais deixa evidentes as marcas da passagem do tempo.

Para quem ainda não sabia: a mais antiga técnica de peeling (esfoliação) já era feita no Egito Antigo, usando-se óleo animal com sal e pó de alabastro!!! Isso era chique, não?

III Músculos

Segundo Paula, é possível chegar aos 70 anos com os músculos 40 anos mais jovem...

Aos 60, a massa magra pode cair para pouco mais da metade do que era na juventude.

Na década de 1970, os médicos perceberam a importância da musculação, pois a massa muscular começa a diminuir aos 25anos e a partir dos 45, a perda média é de 1% ao ano (para quem não faz exercícios com regularidade).

É recomendada a prática de atividades aeróbicas três vezes por semana mais dez minutos de exercício com peso, o que também não é nenhuma novidade.

Um estudo realizado pela Tufts University (EUA) analisou o efeito dos exercícios de força em mulheres idosas, com faixa etária média de 73 anos. Com duas semanas de treino, essas mulheres apresentaram um ganho significativo na quantidade de músculos e após 12 semanas, aumento de força muscular.

IV Duas informações que podem ser úteis

- O miométrio é o músculo mais forte do corpo (a cada contração durante o parto, a musculatura uterina faz um esforço suficiente para levantar 41 quilos).

- A miostatina é a proteína cuja função é modular o volume muscular.

V Consultoria e colaboração desta reportagem

Médico americano da Cleveland Clinic, Michael Roizen é uma referência do estudo da longevidade humana. Seu livro mais popular sobre o assunto vendeu mais de quatro milhões de exemplares, só nos EUA. Fundador do Real Age Institute, dedicado a pesquisas sobre a idade real das pessoas e de seus órgãos internos e da pele.

A contribuição especial de Roizen foi a criação de um método que permite às pessoas saberem se estão tão jovens biologicamente quanto poderiam ser.

VI Tabela de Roizen:

Idade cronológica 20 anos 30 a 40 a 50 a 60 a 70a

Mulher -3,5a -6a -13a -16a -23a -29a

Homem -3a -5a -12a -15 a -21a -27a

VII Palavras dele:

"Sempre me espantava ver pessoas instruídas e inteligentes mantendo hábitos ruins mesmo sabendo que estavam erradas", diz Roizen à Revista VEJA. "Agora, talvez as pessoas mudem algumas atitudes depois de conhecer a taxa de estragos que esses hábitos produzem."

VIII Descubra sua idade verdadeira
...e veja como preservar a juventude do organismo por muito mais tempo
.

A folhinha do calendário ou a data de nascimento carimbada na certidão definitivamente não são os melhores indicadores do vigor e muito menos do envelhecimento do nosso corpo. É o que defende o professor de anestesiologia e medicina interna Michael Roizen. Por meio de uma análise estatística e científica do impacto dos bons e dos maus hábitos sobre aexpectativa de vida, o médico americano desenvolveu o conceito deRealAge, idade verdadeira em português.

De acordo com a definição de Roizen, trata-se da idade biológica do organismo, aquela que se contrapõe à cronológica. Dessa forma, dependendo da maneira como o indivíduo cuida da sua saúde, acontabilidade dos anos pode ser menor ou até maior do que a ditada pela identidade. Em outras palavras, o que vai ou deixa de ir à mesa, por exemplo, além de atos prosaicos como o uso do fio dental, podem dizer se a gente está mais velho. Ou mais moço.

Roizen, 61 anos de idade cronológica e 42,1 de idade verdadeira, se tornou um habitué da lista dos livros mais vendidos do jornal americano The New York Times com títulos como Idade Verdadeira e Dieta da Idade Verdadeira,ambos lançados no Brasil pela Campus/Elsevier. Em suas obras, o leitor é convidado a fazer um extenso teste que avalia todos mos seus hábitos. No final, com o resultado nas mãos, descobre quantos anos realmente tem.

Fica sabendo também que atitudes envelhecem !!! E, por outro lado, como bons hábitos por exemplo, devorar um prato de salada todo dia o ajudam a remoçar. Na entrevista o especialista revela à SAÚDE! que, com a evolução dos estudos sobre o envelhecimento, chegaremos aos 150 anos com o vigor de uma pessoa de 45. Mas, quem diria, confessa que nem sempre segue os próprios conselhos.(Por Fábio de Oliveira| design Gisele Pungan e Thiago Lyra).

Quem não quer viver aos 60 anos como se tivesse 35? Milhares de pessoas hoje são mais jovens do que eram há cinco anos. Como isso é possível? Seguindo as recomendações que revertem o envelhecimento presentes neste livro, pessoas que antes eram muito mais velhas que sua idade cronológica conseguiram subtrair até 29 anos de sua idade biológica. Desde sua primeira publicação, A idade verdadeira - com mudanças simples na vida - ajudou milhares de pessoas a se tornarem mais saudáveis, jovens e vibrantes. Este edição, totalmente revista e atualizada, traz as novas descobertas do dr. Roizen sobre o processo de envelhecimento, abordando questões importantes como: a redução do estresse, o controle de doenças crônicas, a terapia de reposição hormonal, entre outras. Junte-se à Revolução da Idade Verdadeira e fique mais jovem e saudável.(fonte: Submarino)

A parte central do livro é um questionário extenso com 125 perguntas, um verdadeiro check-up. O teste foi elaborado por Roizen e outros quatro cientistas com base em 25.000 pesquisas publicadas em revistas científicas.

Livros como o de Roizen estão explodindo no mercado editorial no mundo todo porque vêm ao encontro de uma obsessão da humanidade na virada do milênio: retardar a velhice.

A expectativa de vida no Brasil hoje é de 70 anos. Cuidemos!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Aos Apaixonados... aos Amantes...com carinho! Fase I





"Eis que és formosa, amiga minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças, o teu cabelo é como o rebanho de cabras (...)
Os teus lábios são como o fio de escarlata e o teu falar é doce (...)
Os teus dois peitos são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.
Tu és formosa, amiga minha, e em ti não há defeito. (Ct. 4: 1-7)
O meu amado é cândido e rubicundo; ele traz a bandeira entre dez mil (...)
Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas (...)
As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são como lírios que gotejam mirra.
As suas mãos são como anéis de ouro que têm engastadas as turquesas; o seu ventre, como alvo marfim, coberto de safiras.
As suas pernas, como colunas de mármore, fundadas sobre as bases de ouro puro; o seu aspecto, como o Líbano, excelente como os cedros.
O seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é TOTALMENTE DESEJÁVEL (...)" (Ct. 5: 10-16)




Veja a graça de fragmentos d'0 Diário de Um Apaixonado, de Fabrício Carpinejar:
1. Todo apaixonado é um adolescente, bobagem perguntar a idade.
2. (...) não é egoísta. Ele larga seus hábitos, para conhecer verdadeiramente quem ele gosta.
3. Se ele não curte bossa nova e ela sim, vai estudar o assunto e virar especialista numa semana.
4. Cursos intensivos são perfeitos aos apaixonados. Mais do que isso, não presta atenção. Menos do que isso, não convence.
5. Respeita ausências. Transforma os passageiros em gestantes e idosos, oferece o assento, abre passagem, não se abala com os empurrões (que amor...), está longe do mundo para brigar por espaço. (Deus!!)
6. Aproveita a neblina para deixar recado nas vidraças. (cute-cute)
7. Empresas deveriam proibir a presença dos apaixonados - (...). A produtividade cai, os contatos rareiam, as desculpas aumentam. (o autor não compreende "como não existe uma licença maternidade e paternidade para a paixão". Taí uma bandeira pra se levantar...)
8. (...) o apaixonado escreve em pensamento. Jura ter falado e não falou. (minha nossa!)
9. O apaixonado é um feriado. Ele se atrasa no trabalho porque está concentrado na falta. 'Ele é a própria falta'. ( vejam só.)
10. (...) torto e desajeitado, ele não ocupa toda a cadeira, é como se dividisse seu canto com alguém imaginário.
11. O apaixonado é um escândalo. Reclama o que ainda nem começou. (esse Carpinejar sabe mesmo das coisas!...)
12. Dança conforme canta, não dança conforme a música. (arrasou!)
13. O desejo emagrece o corpo. (tadinho!!!)
14. (...) por que sair para jantar, se não comem? (ohhh!)
15. (...) confessará medos proibidos.
16. É necessário colar o adesivo de "frágil" no apaixonado, não sobrevive no trajeto entre dois endereços. (agora já é demais, não suporto!)
17. (...) revisa o peso, a altura e a massa muscular. (compra uma tonelada de remedinhos, aqueles produtos de todas as marcas - porque nenhuma funciona! - para aquelas horríveis espinhas que, não se sabe bem o motivo, vivem "perseguindo" o pobrezinho!)
18. O homem está apaixonado quando explica sua infância. A mulher quando não fala mais dela. (Fabrício, conta pra gente: afinal, você é um visionário, filósofo, psicólogo, ou o quê? isso já não é uma pérola, é um tratado!)
19. Sobre a conversa entre apaixonados, "não é aconselhável escutar": "que idioma é aquele? Filme eslavo? (...)"
20. O vocabulário (...) regride.
21. (...). Com apenas um casal de apaixonados, o bar está lotado.
22. O apaixonado não consegue decidir nada. (...). Gasta cinco modelos de um cartão para desistir de mandar as flores. (uhhh, bebê!...)
23. Dá voltas no bairro de sua casa e ainda elogia as ruas. (romântico...)
24. Descreve os efeitos da paixão em seu corpo com minúcias de uma doença a um médico.
25. Acorda toda manhã de ressaca de algo que não bebeu.
26. (... )perde bem mais do que a cabeça.
27. Dentro de si, um engarrafamento interminável. A tarde inteira entre a primeira e a segunda marcha, entre a primeira e a segunda pessoa do singular. (irresistível...)
28. O apaixonado desaparece do trabalho de repente, discreto. E reaparece espalhafatoso. (que meigo!)
29. (...) inventa apelidos ridículos (...)
30. (...). Ama a criança que foi ou a qwue não chegou a ser.
31. (...) demora mais se corrigindo do que respondendo.
32. (...) nunca toma sopa. Qualquer barulho incomoda.
33. Termina a relação toda hora para sempre recomeçar. (que amorzinho!)
34. Adoece exclusivamente para o emprego. Está enterrado entre dois seios. ( será que lê cantares de Salomão, desta chamada?)
35. Não consegue ser sucinto, nem terminar um telegrama ou epitáfio.
36. O que adiou numa vida completa numa noite. ( Último Tango em Paris?)
37. A felicidade é uma palavra comprida demais e o apaixonado tem pressa.
Leia mais, no livro (e veja, se puder, um pedacinho que seja deste vídeo: lindas imagens, linda letra).











Para pensar:
"Me dê um bom dia e eu te darei uma boa noite"...



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

HOMENAGEM A MINAS GERAIS

O GOSTO DE SER MINEIRO
Esta crônica foi considerada ‘hors concours’ quando da realização do 5º Concurso da Superintendência Regional de Ensino de Pouso Alegre, para a Semana Literária. 1998.
Aqui, publico-a na íntegra:
Chegamos.
Estou entre a porteira e o sonho. Cheiro de leite morninho tirado na hora. O orvalho brilha no capinzal e chove torrencialmente no campo. Há neblina no milharal.
Diviso o velho riacho e escuto ainda o eco da criançada gritando, tomando banho. Fecho meus olhos e revejo num ‘flash' cenas alegres da infância. Aprendi desde cedo o gosto de ser mineiro.
Ser mineiro é o cheiro delicioso do canteiro de hortênsias, das flores silvestres e da terra molhada após a chuva. É a nostalgia da velha cozinheira cantando e cozinhando no fogão a lenha, enxugando no avental o suor de seu rosto:algo convida pra logo, tem fumaça na chaminé...
Ser mineiro é ter fundo na alma o gosto da terra. É enxergar verdinho, tentando enganar um pouco a saudade, a lembrança dos filhos longe, no estrangeiro...
Ser mineiro é curar umbigos de criança e jogar todos eles na roseira, que é pra dar sorte.
É sentar na varanda todos os dias à mesma hora, no vagaroso tecer dos anos, só pra ouvir o canto majestoso do sabiá.
Ser mineiro é a fala simples do camponês: hoje vai ter ‘cripe’ da lua, as crianças estudadas da cidade segurando o riso, misto de interrogação e respeito!
É ser como São Tomé – não sair acreditando nas ‘conquistas da ciência’, mas preferir ele mesmo testar.
É ter flores de todas as cores e gostar delas.
O gosto de ser mineiro está nas grandes vaquejadas, nas pescarias à beira do rio, covos armados no verão.
Ser mineiro é afirmar de pés juntos que o Everest não é assim o pico mais alto do mundo, tamanho não é documento...
É acordar nas madrugadas com o mais gostoso despertador, cocoricando nas manhãs fresquinhas de amendoim torrado, socado de noite no pilão. É paçoca com gengibre na panela.
Ser mineiro é o chá de hortelã ‘pra curar as bichas’, e o bicho-de-pé coçando, doendo...
É envelhecer sorrindo, sorriso de poucos dentes, enfrentando assombrações com a bravura de quem sabe a que veio!
Ser mineiro é abençoar a lua clara, iluminando a estrada, e o sol escaldante dos dias de verão.
Ser mineiro são as festas do Santo Padroeiro, a Folia de Reis. Acender vela pro santo e depois brigar feio com ele.
É a fé mais inabalável, a crença mais singela, nas rezas de família, misturadas, confundidas com superstições...
É sentir na alma inteira que é sempre tempo de festa e é hora de celebrar.
Ser mineiro é aquela correria: - tarde, compadre; tarde, comadre! Lá evém chuva! E todos correndo para cobrir depressa os grãos de café no terreiro (mais preciosos que as pedras de anel chique das comadres da cidade...)
É enxergar molhado a plantação arrastada pela enchente de janeiro! Ter fé que no ano que vem não vem aguaceiro igual.
Ser mineiro é vislumbrar por entre as montanhas um pedaço reduzido do paraíso. Deitar e esticar-se na rede, aproveitando a sombra e a fruta das mangueiras, carregadas de pardais.
Enxerguei cedo que ser mineiro é reviver tradições, remexer o passado, e, como diziam meus pais, não saber ‘contar um conto sem aumentar um ponto’! É ter a dignidade de um fio de barba. É gostar de ser herói e morrer por uma causa. É jogar limpo. É ser honesto até debaixo d’água e não trair um amigo nem que a vaca tussa...
É a flor do feijão estalando ao sol e a sombra gostosa e amiga nos terreiros de café. É o gado enfileirado, sabendo a hora de voltar.
Ser mineiro é ser simples: é o doce em compota na despensa, provocando mistério. É o bule de café quentinho e a galinha esperando, desconfiando do destino...
Leitão, lingüiça, mandioca:pode entrar, que a casa é nossa.
É arrear o cavalo e seguir em frente. É tirar o chapeu ao ouvir o santo nome de Deus, numa harmonia perfeita entre o criador e sua criatura!
Viola que chora, saudade que punge no peito.
Ser mineiro também é ser modesto: comprar uma parabólica, não entender nada de Internet (ou entender e acessar o computador, mas nunca perder a sintonia com as suas raízes).
Ser mineiro é o bezerrinho ferido retirado do açude. A vaca mugindo, literalmente atolada no brejo. É conhecer que vai chover quando o calo dói e a saracura pia, longe.
Ser mineiro é registrar nosso folclore a cada ano, numa corrida desenfreada contra o tempo. É consertar o patrimônio hiostórico, pedindo desculpas ‘apológicas’ aos nossos antepassados...
Ser mineiro é ter memória: guardar no museu e no coração toda nossa grandiosa história!
Orgulho-me de você, meu irmão mineiro, trabalhador das minas, calção por vestido no corpo e lanterna pendurada na rocha. Você, lavrador das campinas, que carrega na alma a eterna sabedoria dos anos. De você, operário das máquinas, chorando o custo de vida.
Saúdo o peão ponteiro, o fiador e o meeiro.
Minas do artesanato e da grande industrialização. Do futebol e dos grandes craques.
Minas dos grandes sertões e veredas, das corredeiras, das grutas, das lindas chapadas, da mais bela geografia!
Minas de Milton Nascimento e Adélia Prado. Elias José e Edson Arantes, Pelé. Olavo Romano e Drummond. Guimarães Rosa e Otto Lara Resende. Vanderlei Timóteo. Políticos; estadistas; grades nomes da poesia e da prosa; ilustres; guerreiros; severos; sinceros.
Ser mineiro é, enfim, chuchar a lua com bambu, tirando o chapeu pro Olavo, o Romano, mas mineiro por vocação e berço.
É o glorioso cair da tarde. O sino da igrejinha repicando sinos, embalsamando a dor. É o silêncio da Ave-Maria.
Do outro lado da porteira redescubro valores. Já não posso dar marcha-a-ré: é hora de pegar o trem da história e celebrar, ainda que tardio, o gosto de liberdade – o gosto de ser mineiro!
Graça Lacerda - Escola Estadual Professor Ladislau
Você sabia?


"Minas Gerais não possui um hino oficial. No entanto, várias composições dedicadas ao Estado se tornaram conhecidas ao longo do tempo. Uma delas é o ´Hino a Minas´, com letra de João Lúcio Brandão, e música do padre João Lehmann. A composição era muito ouvida nas escolas, durante as décadas de 1920 e 1930, e fazia parte do hinário (livro de hinos) distribuído nos estabelecimentos de ensino.

Mas, a canção que ganhou maior popularidade, inclusive fora do Estado, foi ´Oh, Minas Gerais´. A letra é uma adaptação feita pelo compositor mineiro José Duduca de Morais, o De Moraes, gravada em 1942. Trata-se de uma tradicional valsa italiana, chamada Viene sul mare, introduzida por companhias líricas e teatrais daquele país que vinham ao Brasil no século XIX e início do século XX. Em 2000, a música foi gravada pelo cantor e compositor Milton Nascimento."
O vídeo com que brindo meus amigos neste post está na voz de Renato Teixeira. Ouçam e se apaixonem!!!

Oh, Minas Gerais

Tuas terras que são altaneiras.
O teu céu é do mais puro anil.
És bonita, oh terra mineira,
Esperança do nosso Brasil !

Tua lua é a mais prateado
Que ilumina o nosso torrão !
És formosa, oh terra encantada !
És orgulho da nossa nação !

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Teus regatos te enfeitam de ouro.
Os teus rios carreiam diamantes
Que faíscam estrelas de aurora
Entre matas e penhas gigantes.

Tuas montanhas são preitos de ferro
Que se erguem da pátria alcantil !
Nos teus ares suspiram serestas.
És altar deste imenso Brasil !

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Lindos campos batidos de sol
Ondulando num verde sem fim
E as montanhas que, à luz do arrebol,
Têm perfume de rosa e jasmim.

Vida calma nas vilas pequenas,
Rodeadas de campos em flor,
Doce terra de lindas morenas,
Paraíso de sonho e de amor.

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Lavradores de pele tostada,
Boiadeiros vestidos de couro,
Operários da indústria pesada,
Garimpeiros de pedra e de ouro.

Mil poetas de doce memória
E valentes heróis imortais,
Todos eles figuram na história
Do Brasil e de Minas Gerais.

Oh! Minas Gerais!
Oh! Minas Gerais!
Quem te conhece
Não esquece jamais
Oh! Minas Gerais!

Fonte: mg.gov.br

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Que ternura de progenitora!!!


EVOCAÇÕES DO PASSADO



Quando mamãe convidava: - “Vamos almoçar fora?” - corríamos todos, alegres: providenciar a mesa no nosso grande quintal... e indagávamos: - agora?

- Mamãe, vai ter cabrito? – Sim, meus filhos, e também vai ter rolinha e paturi na Noite de Natal... (Somente a cabritinha preferida de minha irmã não ia para o assado. Ponto final! (Ia para a escola, seguia minha irmãzinha até o Grupo Escolar!)

Naquele tempo, carne grelhada, forno “microondas” e tantas novidades não faziam parte do nosso cardápio diário. Mas sorríamos. E éramos felizes!

Que rica, cheirosa e saborosa era a macarronada que mamãe fazia!... Sempre tentei, sem nunca acertar, fazer uma igual! E era mesmo italiana, aquela iguaria: o molho grudadinho no fio, “pegou carona, não solta”, ela dizia...

Comíamos alface, abóbora e couve-flor. Tudo feito com o mais gentil amor. Jiló, então,com quiabo, por favor!

Meu irmão chegava do colégio e procurava, ávido, pela sua carne moída: - “Com arroz, sem feijão, minha mãe.” Era seu gosto, que nos causava, a todos, indignação.

O empregado de papai tinha um gosto mais “apurado” que esse agora revelado: arroz com farinha, pasmem! Vivia branco, o coitado! (Talvez tivesse anemia!) “- Também, não come feijão!” – dizia mamãe, ao servi-lo. Seu nome? Antônio Beleza, talvez por tanta magreza! Só víamos nele os dentes, lindíssimos de morder...

Um grande pomar ao redor sugeria a todos fartura (e felicidade): chupávamos manga e laranja, tirando tudo no pé.

Não fomos dados a festas, churrascos e comedeiras. Mas não passavam em branco as festas de aniversário, com bolos e brincadeiras! Gostoso era sentir o “céu”, quando salpicavam bolinhas... “ – Estrelas redondas, mamãe? Também vou roubar a minha...” E lá ia o dedo, uma, duas, três, quatro vezes, na estrela brilhante e branquinha, ao que mamãe corrigia: “ – Não ponha a mão, minha filha, já vamos cantar parabéns.”

Que linda infância de festas! Os anjos dizendo Amém!... Que linda infância eu tive, recheada de doces de abóbora, pamonha e curau que mamãe fazia, e corria alegrinha a pedir: “ – Levem um pouco para Dona fulana e não se esqueçam de Dona beltrana! Que na sequência seriam: as vizinhas, a lavadeira, a costureira e as tias.

Almoçar com as primas, então, era meu céu nesta terra! Apostávamos quem terminava primeiro – e tinha prêmio também: passeio na casa da tia (do "tio do papagaio"), correr nas ruas por perto, andar de bicicleta, ou mesmo olhar os nenéns... nas noites lindas de estrelas em noites de céu aberto!!!

Gostoso comer de tudo! Arroz jamais foi cuscuz e cuscuz, nunca bala de aniz... Mas onde foi que encontrava pequenas, sutis semelhanças nestas três delícias da infância? O arroz, preparado “frito”, era minha glória do olfato! Cuscuz, que vovó oferecia, nada sobrava no prato. E as balas de aniz, azedinhas, era papai que vendia, aos montes, no empório (com jeito de céu) – que nos Natais recebia uma visita singular: trazendo as “marias-caxuxas” o nosso Papai Noel!

E a gente tirava o chapeu: pra aquelas delícias que via! Macarrão, para mim, ainda hoje, rima (como na infância) com a palavra salmão. Menos, é claro e evidente, com o sabor do feijão.

A primeira experiência “estrogonófica” que tive, foi na casa da minha tia: “ – Come, menina, que é bom”. “ – Não, tia, que tem gosto estranho de leite!” “ – Mas é este o segredo dos pratos: que a nossa alma deleite!”

Por falar em deleitar, fui testemunha ocular do primeiro “chiclé” brasileiro! Não era comprido: quadrado. Deliciosamente disputado. Era aquela correria ao revelar o “premiado”!

Manjar branco, carolinas, quindins (finas iguarias!) ah! minha madrinha ajudava. Para esperar os parentes que chegariam de longe, ansiosamente aguardados.

Suflê de ameixas negrinhas, que faço ainda hoje pros meus, ficaram em minha memória em uma gostosa e saudosa forma de adeus!

Arroz doce com canela, esfriava ávido na janela! Era muito pequena e mal alcançava o quitute... Satisfazia-me com o cheiro, que o vento se encarregava de perfumar, ondulante, nosso enorme terreiro!

Surgiam do nada: guisados, doces e bolos, de todos os cheiros e todas as receitas! Broinhas de fubá? –era “pra já”. Biscoitos assados a lenha, no fogão contador de histórias: “ – De quem você gosta mais: do papai ou da mamãe?” “ – Dos dois!” – arregalava os olhos, mirando o mingau de aveia, nas noites frias de inverno, que mais parecia uma ceia!

Chocolate quente, quem quer? Ou leite queimado, bolo de fubá? Ninguém, em sã consciência, ousaria rejeitar! Nhocada, ensopado, bolinhos ditos de chuva... Ah! a saudade insiste em não querer dissipar lembranças que ainda existem, graças ao doce e tenro paladar!

Taioba, gabiroba,serralha... São nomes que ainda hoje ressoam, a desejar...

Caramelos, pudins, quadradinhos, bolo Alpino. Com recheio, sem recheio, quem se importava? Na verdade, o que apetecia era fazer, literalmente, a festa: leite moça? dedo na lata; massa do bolo de três? só com raspas de limão, na minha vez!

E salada colorida, com chuchu e beterraba! Para enfeitar o prato, com carinhas brincalhonas, tentando imitar um gato – enfia palito aqui e ali... e... bigodes, orelhas, olhões – achava graça do gato!

E não faltava o licor! De amendoim, abacaxi ou de leite?...

Frangos, massas e peixes, os quisesse variados, era uma ordem em casa: coberta de tantos carinhos, adivinhando o que vinha depois – sorrisos, carinhas sujas – ela fazia com amor! E comíamos ainda quente! Não só porque quiséssemos e ficássemos contentes, mas porque mamãe não se agüentava para ver estampada em nós essa imensa felicidade: degustar sem cerimônias aquelas ricas e saborosas iguarias!

Dizia que as “tias finas” tomavam o “chá das cinco”; eu, às vezes participava, sem entender ainda a pontualidade britânica...e nem dava, então importância.Saía correndo a brincar.

Enfim, nós crescemos, nós mudamos: de casa, de idade, de vida. Mamãe se foi para o céu bem antes do combinado! Sei que está hoje fazendo não mais os quitutes da terra, porém os manjares dos céus.

E se ontem não se esquecia de nossos aniversários, hoje, mais do que nunca, desfiando seu rosário, lembrando dos tempos idos, participa com o Eterno Deus do Imenso Banquete esperado pelo novo povo escolhido. E diz a seus convidados:

"- Estão servidos?"

Pouso Alegre, 18/05/03 - Graça Lacerda (saudade da infância...)