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domingo, 31 de julho de 2011

Projeto Blogueiro Profissional Amigo entra em Ação!






(www.etsy.com/greenpineforest/raceytay)
Minha amiga Elaine, do blog A Fênix que renasce é uma poetisa excelente, mas estuda para aprimorar ainda mais os seus versos. Elaine é uma estudiosa, e me pediu em comentário essa ajuda, o que faço com o maior amor a essa menina que conheço há tempos, fugiu um pouco, mas está retornando. Ela sabe o quanto a amo! E a convido, então,  para um passeio comigo, na bela estrada da VERSIFICAÇÃO!
Eis aqui as dúvidas da Elaine: 
"Graça, muito obrigada pelo carinho, muito obrigada mesmo. De verdade, de coração. Eu sumi e estou sentindo que algumas pessoas se afastaram... É a vida... surgem outras coisas, outras pessoas, amizades etc. 

Mas, apesar de tudo, do meu sumiço e silêncio, você ainda me trata de forma tão carinhosa e especial... E isso não tem preço.

Sobre versificação, eu realmente estou cheia de dúvidas! (risos) Graça do Céu, como é difícil achar um bom livro de métrica na Internet! Achei uns bem antigos e que não abordavam tanto a questão do ritmo (que era o meu interesse principal). Aí achei o de Glauco Mattoso (SENSACIONAL!!). Na Net, está como "O Sexo do Verso", nas livrarias, está como "Tratado de Versificação" se não me engano.

No entanto, fiquei com dúvidas, sim. À medida que vamos fazendo os versos, surgem situações específicas... e estou insegura a respeito da sinalefa, da junção das terminações vocálicas entre as palavras. Vou dar uma olhada no meu caderno e depois volto para falar a respeito. Só uma pergunta: isso não vai atrapalhá-la em nada? Porque sei que tempo é um recurso escasso...

De qualquer forma, eu lhe agradeço muito por tudo!

Beijos!
31 de julho de 2011 08:44

Blogger Elaine Regina disse...
Ói eu aqui de novo! :)

Graça, eu vou ser concisa nas dúvidas para não tomar tanto o seu tempo, viu? Bem, se houver algum e-mail seu para o qual eu posso mandar algumas questões (simples e curtas também), eu ficaria muito contente.

Bem, vamos lá:
A sinalefa ocorre sempre com átona + átona (eu me refiro às vogais no final e início dos vocábulos).

Pelo que entendi:

átona + átona (ocorre sempre)

átona + tônica (ocorre sempre)

tônica + tônica (nunca - mas o poeta, dependendo da situação, pode unir duas tônicas... Camões chegou a fazer isso, e o mesmo tipo de licença se aplica às primeiras duas situações acima expostas, nas quais o poeta para manter o metro pode optar pela dialefa)

Aí vem a minha dúvida:
A junção tônica + átona ocorre em que situações afinal?!


Porque eu vi separado:

É- u-ma
Já -u-ma (Luis Delfino = LD)
Tu -u-ma (LD)
Há -u-ma (LD)
É - um (LD)

Junto:

es-TÁ U-ma (Camões)
É U-ma ho-ra -fe-liz... (Vicente de Carvalho)
DÁ U-ma- ri-sa-da

Outros exemplos...

Junto:
É A -coisa mais linda
Seis sílabas - É O - dado

Separado:

On-de -mor-RI, -E-xis-to
VI- O remorso distante
Porque sozinho vou a-tÉ- I-có
Pre-VI -EM -tor-no...


Então, minha primeira dúvida é essa: quando um vocábulo termina em vogal TÔNICA e o próximo inicia com ÁTONA quando eu mantenho os dois na mesma sílaba métrica? O mesmo em relação aos vocábulos terminados em ditongos... os poetas me deixaram tonta...


Ditongo

Separado

cai - ao vento...
vai-imaginárias
mão-entre os negros
para o céu - e não vê nada
impõe- o seu domínio
passou.- A carne nova...
Botei- a turma toda...
teu-amor...

Junto

Ser tua fê - MEA, ES- tar sempre...
Ter da volú-PIA UM -caudaloso rio
inteligên- CIA AR - guta
demô -NIO A- legre
falá -CIA ES - perta
pá -TRIA A -mada

Minha segunda dúvida é essa, Graça: quando o vocábulo é terminado em ditongo quando eu devo fazer sinalefa? Quais são os critérios?

Se você me tirar essas duas dúvidas, serei muito grata, muito mesmo. Graça, se tiver apostilas digitais, bons autores/livros para me indicar, eu vou ficar tão feliz! Help me!

Ai, obrigada! E desculpe-me pelo abuso.

Beijos!
31 de julho de 2011 11:06

Blogger Elaine Regina disse...
Ô, Graça, eu juro que pesquisei exaustivamente sobre tudo isso na Internet (porque, por enquanto, não tenho condições de comprar livros...), mas não achei quase nada a respeito dessas minhas dúvidas. Pelo menos nada claro e didático, só uma verdadeira "salada de frutas" confusa... O melhor livro que achei foi o do Glauco Mattoso mesmo. Mas é impossível que apenas uma fonte tire todas as minhas possíveis dúvidas. É um livro bastante completo mas não abarca tudo e nem poderia.


Não queria ser chata, mas já sendo... Gostaria de achar um livro explicando os "moldes" de poesias metrificadas. Queria saber quais os formatos de poemas que posso usar, considerando-se a métrica. Já uso o soneto e a sextilha (esta última, segundo Mattoso, não tem número fixo de sílabas, só de versos)... mas sei que há muitos outros formatos que apresentam características bem específicas, como a ode, a elegia etc. Pesquisei na Net e achei tudo muito vago. Queria um livro que me explicasse direito: "esse formato tem tantas estrofes, com x número de versos cada uma, e cada verso deve ter x sílabas métricas... os temas tratados nesse molde geralmente são..."

Existe algo assim por aí?

Beijos e, mais uma vez, OBRIGADA!
Graça, obrigada mesmo.

Prometo que não vou ficar sempre no seu pé para tirar dúvidas, não. Eu estou acostumada a correr atrás das coisas com meus próprios esforços. Na minha vida, nunca tive nada de mão beijada. Nada.

Em relação a tudo que mencionei nesses comentários, já pesquisei muito. Tenho em formato digital: "A Arte de fazer versos" (Duque Estrada... verdadeiro achado...)", "Tratado de versificação" (Olavo Bilac), "Versos, sons e ritmos" (Norma Goldstein), "O sexo do verso" (Glauco Mattoso). Isso sem mencionar os inúmeros sites que já acessei...

Tenho me esforçado verdadeiramente para estudar. Não tenha dúvidas disso. A poesia é a minha vida. Vai estar ajudando uma pessoa que tem um interesse sólido e sincero...

Beijos!"
31 de julho de 2011 11:27

(www.etsy.com/thewhiteness/ancagrey)
Minhas respostas iniciais para você, Elaine:
Entrando em ação o
BLOGUEIRO PROFISSIONAL AMIGO
rsrs
Calma, menina! Vamos devagar, que você vai aprender muito mais rápido!
Deixe aqui seu e-mail, para eu poder te enviar as primeiras respostas.
Vale adiantar que o verso em nosso idioma é de ritmo 'intensivo', diferente do ritmo 'quantitativo' das línguas clássicas, tais como o grego e o latim. Nossa língua possui ritmo grave, e todas essas licenças poéticas são, a princípio,  por recurso de estilística métrica, questão de 'eufonia', isto é, quando der pra você pronunciar com cadência, sem sofrimento, e ainda para ajustes na contagem das sílabas. Isso, eu sei que você já sabe. Um dos segredos é você pronunciar, e tônica + átona é questão de eufonia e de contagem das sílabas, só isso! O poeta é que decide, na hora de compor os versos.Veja:
On-de-mor-RI,-E-xis-to
(as sílabas -RI e -E não podem vir juntas apenas por questão de eufonia..procure pronunciá-las junto, não consegue) e assim, os exemplos que você colocou.
Agora, pronuncie:
É- A -coi-sa- mais - lin-da
A sílaba '-É' quase que desaparece! você pode pronunciar junto com a outra: '-A', dando cadência e ritmo ao verso, que vai possuir então 5 (cinco) sílabas métricas. 
Porém...
Porém...
Se os versos restantes da estrofe contivessem 6 (seis) sílabas métricas, aí, sim, você contaria as sílabas -É e -A separadamente, para contar seis sílabas métricas. Daí as chamadas licenças poéticas...
Não se afobe tanto, viu? Vale muito a espontaneidade, a hora em que o poema é criado! 
Vou enviar mais detalhes, com exemplos fáceis. Aguarde. Deixe então seu e-mail, ou veja o meu, na sidebar desse blog.
Beijos grandes!!
*Claro que o que estou dizendo aqui é para efeito didático e de fácil entendimento, sem complicações com os termos difíceis que esse assunto traz. Isso é para outro momento.


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