sábado, 27 de fevereiro de 2010

Série - Bibliotecas IX


BIBLIOTECA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO




A Biblioteca Nacional, também chamada de Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, é a depositária do patrimônio bibliográfico e documental do Brasil, considerada pela UNESCO como a oitava biblioteca nacional do mundo e, também a maior biblioteca de língua portuguesa e da América Latina.



A história da Biblioteca Nacional inicia-se antes de sua fundação propriamente dita, pois em 1 de Novembro de 1755, Lisboa sofreu um violento terremoto, que marcou a sua história, e que deu origem a um grande incêndio que atingiu, entre outros edifícios, o da Real Biblioteca, também conhecida como Real Livraria, considerada uma das mais importantes bibliotecas da Europa, àquela época. A esta perda quase irreparável para os portugueses seguiu-se um movimento para sua recomposição, que foi prevista entre as tarefas principais e mais urgentes para reconstruir Lisboa após o incidente de 1755.


Para levar a cabo essa missão, o rei D. José I de Portugal e o ministro Marquês de Pombal empenharam-se em juntar o pouco que sobrara da Real Livraria e a organizar, no Palácio da Ajuda, uma nova biblioteca, que se tornou importante pela composição de seu acervo que, em 1807 reunia cerca de sessenta mil peças, entre livros, manuscritos, incunábulos, gravuras, mapas, moedas e medalhas.

Este acervo foi aquele trazido ao Brasil após a vinda da família real em 1808, em consequência da invasão de Portugal pelas tropas francesas comandadas por Junot.

O acervo, na mudança para o Rio de Janeiro, foi trazido em três etapas, sendo a primeira em 1810 e as outras duas em 1811. A biblioteca foi acomodada, inicialmente, nas salas do andar superior do Hospital da Ordem Terceira do Carmo (de acordo com o Alvará de 27 de julho de 1810), localizado na antiga rua de trás do Carmo, actual rua do Carmo, próximo ao Paço Imperial. As instalações, no entanto, foram consideradas inadequadas e poderiam por em risco tão valioso acervo assim, em 29 de Outubro de 1810, data que ficou atribuída à fundação oficial da Biblioteca Nacional, o príncipe regente editou um decreto que determinava que, no lugar que havia servido de catacumbas aos religiosos do Carmo, se erigisse e acomodasse a "minha Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática, fazendo-se à custa da Real Fazenda toda a despesa conducente ao arranjamento e manutenção do referido estabelecimento".















As obras para nova edificação da Biblioteca só terminaram em 1813, quando foi transferido o acervo. Enquanto se efetuava o processo de instalação dos livros, que se iniciou em 1810, a consulta ao acervo da Biblioteca já podia ser realizada por estudiosos, mediante consentimento régio e, em 1814, após o término da organização do acervo, a consulta foi franqueada ao público.


Vista Aérea


Oficialmente estabelecida, a Biblioteca continuou a ter o seu acervo ampliado de maneira significativa, através de compras, doações, principalmente, e de "propinas", ou seja, pela entrega obrigatória de um exemplar de todo material impresso nas oficinas tipográficas de Portugal (Alvará de 12 de Setembro de 1805) e na Impressão Régia, instalada no Rio de Janeiro.
Essa legislação relativa às propinas foi sendo aperfeiçoada ao longo dos anos e culminou no Decreto n.º 1.825, de 20 de Dezembro de 1907, chamado vulgarmente Decreto de Depósito Legal, ainda em vigor.

Com a morte de D.ª Maria I, em Março de 1816, teve início o reinado de D. João VI, que permaneceu no Brasil até 1821, quando circunstâncias políticas o fizeram retornar a Lisboa com a Família Real, à exceção de seu filho primogênito. Aqui também permaneceu a Real Biblioteca. Nessa época ela já crescera muito e, após a Independência, em 1822, passou a ser propriedade do Império do Brasil, pois sua compra consta da Convenção Adicional ao Tratado de Amizade e Aliança firmado entre Brasil e Portugal, em 29 de Agosto de 1825. Pelos bens deixados no Brasil, a Família Real foi indenizada em dois milhões de libras esterlinas; desse valor, oitocentos contos de réis destinavam-se ao pagamento da Real Biblioteca, que passou, então, a chamar-se Biblioteca Imperial e Pública da Corte.

















Em 1858, a Biblioteca foi transferida para a rua do Passeio, número 60, no Largo da Lapa, e instalada no prédio que tinha por finalidade abrigar de forma melhor o seu acervo. (Atualmente, com algumas modificações, esse edifício abriga a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Como seu acervo continuava a ampliar-se com as doações, aquisições e através de contribuição legal, compra de coleções de obras raras em leilões e em centros livreiros de todo o mundo, em breve tornou-se necessária a sua mudança para outro edifício, mais adequado às suas necessidades presentes.

Manuscritos
(carta do século XVIII)


A seção de Manuscritos contém documentos como cartas, atas e livros escritos à mão. Alguns pertencem ao período medieval, porém a maioria corresponde ao Brasil colonial.


Escadaria interior



O crescimento constante e permanente do seu acervo foi fundamental para a realização deste projeto de construção de uma nova sede que atendesse a todas as necessidades da biblioteca, para poder acomodar de forma adequada as suas coleções.
Com base neste pressuposto, foi projetado o seu atual edifício, que teve a sua primeira pedra lançada em 15 de Agosto de 1905, durante o governo de Rodrigues Alves. A inauguração realizou-se em 29 de Outubro de 1910, durante o governo Nilo Peçanha.
O edifício da Biblioteca Nacional, cujo projeto é assinado pelo engenheiro Sousa Aguiar, tem um estilo eclético, no qual se misturam elementos neoclássicos e "art nouveau", e contém ornamentos de artistas como Eliseu Visconti, Henrique e Rodolfo Bernardelli, Modesto Brocos e Rodolfo Amoedo. Fica situado na Avenida Rio Branco, número 219, praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, e compondo com o Museu Nacional de Belas Artes e o Teatro Municipal um conjunto arquitetônico e cultural de grande valor.


Pinturas e Partituras










Em 23.05.2007 foi publicado no «PORTUGAL DIGITAL» um artigo sobre o riquíssimo acervo da Biblioteca Nacional Brasileira, no Rio de Janeiro;  aqui, na sua integra, para leitura:

“Brasília - A Fundação Biblioteca Nacional (BN) é uma das mais antigas instituições públicas brasileiras. Foi instalada oficialmente no Rio de Janeiro em 1810, a partir do acervo da Real Biblioteca de Portugal, trazido pela corte do príncipe regente Dom João, em 1808. É hoje a maior fonte de pesquisa em livros, jornais e periódicos do país e tem a função de ser a depositária da memória bibliográfica e documental do Brasil.

Toda obra publicada no país precisa ter pelo menos um exemplar arquivado na BN. Com um patrimônio superior a 9 milhões de itens foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como a 8ª maior biblioteca do mundo.

Instalada em um imponente prédio estilo ecléctico (onde se misturam elementos neoclássicos), na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, abriga verdadeiras raridades da literatura. Obras impressas nos primórdios da invenção da imprensa, como a Bíblia Mongúncia (Bíblia Latina, já mencionada aqui), publicada por Gutenberg e seus sócios, em 1462, é considerada pela chefe da Divisão de Obras Raras (Diora), a bibliotecária Ana Virgínia Pinheiro, como uma das peças mais raras da divisão. Existem apenas outros 60 exemplares conhecidos desta bíblia em todo o mundo.

Há na Biblioteca Nacional obras ainda mais antigas, escritas a mão sobre pergaminho, como O Livro dos Evangelhos, do século XI, escrito em grego e considerado o livro mais antigo na América Latina. O conjunto de obras impressas mais antigas datam do século XV, são os 'incunábulos', livros publicados nos primeiros 50 anos da invenção da tipografia por Gutenberg, e publicados até o ano de 1500. Todos já ilustrados anteriormente aqui, em Curiosidades sobre bibliotecas.

A maior parte deles está depositada na Diora, onde podem ser consultados por pesquisadores especializados. “A Biblioteca não estimula visitas às coleções especiais (Obras Raras, Manuscritos, Cartografia, Iconografia e Música). Recebe o pesquisador que tem interesses de pesquisa bem definidos e que traga carta de apresentação assinada pela instituição onde desenvolve a pesquisa ou de próprio punho, a título de declaração de idoneidade para consulta a acervo tão precioso”.












Obras raras

A Divisão de Obras Raras guarda livros publicados entre os séculos XV e XVII e tem a missão de salvaguardar o acervo precioso da Biblioteca Nacional. Calcula-se que existam hoje mais de 70 mil obras na seção, em dois quilômetros de prateleiras. Na apreciação do acervo realizada em 1946, foram identificados 18 mil volumes na Diora. Os livros, alguns em pergaminho, são escritos em grego, latim, árabe, hebraico e línguas arcaicas ou mortas.

O acesso restrito ao acervo da Diora se explica pela necessidade de proteger e preservar documentos únicos, datados, alguns deles, antes mesmo do descobrimento do Brasil. Os estudos são feitos através de microfilmes e material digitalizado, na falta destes, a consulta é direto no original.

A Divisão de Obras Raras está em processo de Renovação...O  PROJETO FÊNIX, sob o patrocínio do BNDES irá viabilizar a conservação desses tesouros...


Livros Raros
O Depósito Legal é a principal fonte de captação de obras para a BN, mas as peças mais antigas e de grande valor histórico foram obtidas por meio de doações. A maior delas foi a coleção Dona Tereza Cristina Maria doada pelo imperador Dom Pedro II, quando estava no exílio em Portugal, em 1891. São mais de 48 mil peças, entre livros, manuscritos, partituras, gravuras, desenhos, fotografias e mapas. As coleções doadas à BN são privilegiados instrumentos de pesquisa sobre a história do Brasil.

Natureza na Biblioteca



Título: Resumo do sistema sexual botânico.
Folha de rosto.
Coleção: Castelo Melhor
Localização: Manuscritos I-13,2,13
Copyright: Fundação Biblioteca Nacional (Brasil)




(jenipapo e rubiaceae-flora brasileira-obra do explorador Alexandre Rodrigues Ferreira)



Lei Depósito Legal

Essa Lei determina que as editoras enviem à Biblioteca Nacional 01(um) exemplar de udo aquilo que produzem. Assim, a Biblioteca acaba por disponibilizar pelo menos 01(um) exemplar de cada obra publicada no país.

A Fundação Biblioteca Nacional conta com duas filiais: a Biblioteca euclides da Cunha, também no Rio de Janeiro, e a Biblioteca Demonstrativa de Brasília, que fica no Distrito Federal.

E não fica só nisto! A Fundação Biblioteca Nacional apoia mais de três mil bibliotecas em todo o território brasileiro , doando livros para os arquivos e treinamento para as pessoas que vão trabalhar.
Há também o PROLER- Programa Nacional de Incentivo à Leitura, criado em 1992 para realizar oficinas e orientar a formação de grupos de leitores de todas as idades.

Para pesquisar, é só chegar à recepção, identificar-se e informar o tipo de consulta que deseja fazer. Você será então encaminhado para a divisão de publicações seriadas, onde se consultam jornais e revistas, ou à Seção de Referência, onde se tem acesso direto a dicionários e enciclopédias, ou, ainda, ao Salão de Leitura,  onde se pode escolheros livros através de catálogos ou de terminais de computadores.
Mais detalhes? Então você irá para uma das Divisões de Acervo Especializado: Obras Raras, Iconografia, Manuscritos e Música. Nessas quatro seções, encontra-se a maior parte dos chamados "tesouros" da Biblioteca Nacional.

Fontes:
Ana Lúcia Merege (BN)
http://www.bn.br

Para consultar a Biblioteca Nacional,  você pode fazê-lo através de carta, fax, telefone ou e-mail à Divisão de Informação Documental.
Pela Internet, pode também consultar os catálogos on-line da Biblioteca, cujas obras foram registradas a partir de 1982 e boa parte do acervo especializado. Através do site, você pode ver fotos da sede, visitar as salas, conhecer as principais cololeções e até mesmo ver alguns dos chamados "tesouros da biblioteca".



O endereço é:
http://www.bn.br
Viaje com amor por esse maravilhoso site!!! É uma delícia passear por ali, um lugar onde a cultura impera.

Contato com a Biblioteca:
Av. Rio Branco, 219, Centro, CEP  20040-008, Rio de Janeiro - RJ.
Fone: (5521) 3095 3879
Fax:   (5521) 3095 3811
E-mail: gabinete@bn.br        
Se a sua ESCOLA deseja agendar uma visita guiada, ligue: (0XX21)2220-9484.
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